Infecção por HIV causa 5 anos de envelhecimento precoce

Infecção por HIV causa 5 anos de envelhecimento precoce

AIDS MEDICAMENTO

São Paulo – A infecção por HIV causa um envelhecimento prematuro equivalente a cinco anos em portadores do vírus, segundo um novo estudo americano publicado na quinta-feira, 21, na revista científica Cell. Embora atualmente os pacientes com HIV vivam saudáveis por décadas, graças à combinação de terapias com antirretrovirais, cientistas já haviam observado, em outras pesquisas, que eles mostram sinais de envelhecimento prematuro.

Usando técnicas epigenéticas para calcular o envelhecimento biológico de 137 pacientes, pesquisadores da Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, calcularam pela primeira vez que o envelhecimento precoce equivale, em média, a cinco anos.

“As questões médicas ligadas ao tratamento de pessoas com HIV mudaram. Não estamos mais tão preocupados com as infecções causadas pelo sistema imunológico comprometido”, afirmou um dos autores do estudo, Howard Fox, do Departamento de Farmacologia e Neurociência Experimental da Universidade de Nebraska, destacando que a preocupação agora está relacionada às doenças relacionadas ao envelhecimento.

A ferramenta utilizada para realizar o novo estudo tem foco nas mudanças epigenéticas das células dos pacientes. A informação epigenética está contida em parcelas do genoma que não fazem parte da sequência do DNA, mas que têm um papel importante na regulação dos genes e podem ser herdadas.

Quando ocorrem as mudanças epigenéticas nas células, elas são transmitidas para as gerações seguintes de células, influenciando a maneira como os genes são expressos. Os cientistas usaram como biomarcador uma mudança epigenética específica, a metilação, que pode ter influência na maneira como os genes são traduzidos em proteínas.

“Havíamos verificado em estudos anteriores que, à medida que envelhecemos, o processo de metilação é modificado em todo o genoma. Alguns chamam isso de entropia, ou deriva genética. Ainda não sabemos exatamente quais mecanismos dessas mudanças epigenéticas levam aos sintomas de envelhecimento, mas é uma tendência que podemos medir nas células das pessoas”, disse Fox.

Grupo controle

Os 137 pacientes incluídos na análise participaram de um estudo de longo prazo que monitora indivíduos infectados com HIV em tratamento com combinações de terapias antirretrovirais. Os indivíduos escolhidos não tinham outras doenças que pudessem distorcer a análise. Também foram analisados 44 indivíduos HIV negativos, como controle.

Além de descobrir que a infecção por HIV aumenta a idade biológica do paciente em 4,9 anos, os cientistas também afirmam que essa alteração está associada a um aumento de risco de mortalidade de 19%.

“Um outro aspecto surpreendente é que não há diferença entre os padrões de metilação nos pacientes infectados recentemente (há menos de cinco anos) e os que têm infecção crônica (há mais de 12 anos)”, afirmou Fox.

Os autores do estudo dizem que é possível desenvolver drogas para amenizar as mudanças epigenéticas observadas no estudo. Mas as implicações imediatas são bem mais simples: eles afirmam que as pessoas com HIV devem saber que têm riscos aumentados de doenças ligadas ao envelhecimento – e devem trabalhar para reduzi-los, fazendo escolhas saudáveis em seu estilo de vida. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte http://www.folhavitoria.com.br/

Pesquisadores dinamarqueses anunciam cura para o HIV

Pesquisadores dinamarqueses anunciam cura para o HIV

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Cientistas dinamarqueses estão esperando resultados de um experimento que, se der certo, pode significar a criação de uma cura distribuível e acessível para o vírus HIV, que causa a Aids (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), dentro de alguns meses. Pesquisadores estão conduzindo ensaios clínicos para testar uma “nova estratégia”, no qual o vírus é despojado do DNA humano, onde se multiplica, e destruído permanentemente pelo sistema imunológico do paciente. A medida representaria um passo dramático na tentativa de encontrar uma cura para o vírus. As informações são do jornal inglês Telegraph.

A técnica envolve a libertação do vírus HIV de “reservatórios” que estes formam no DNA das células, levando-o para a superfície das mesmas. Uma vez “exposto” na superfície da célula, o vírus pode ser eliminado naturalmente pelo sistema imunológico, capaz de criar uma “vacina” contra ele. Os cientistas estão atualmente realizando testes em humanos, na esperança de provar que ele é eficaz. Em laboratório, os testes já foram bem-sucedidos.

Pesquisa em humanos

Em estudos in vitro – aqueles nos quais são usadas células humanas em laboratório – a nova técnica foi tão bem sucedida que, em janeiro, o Conselho de Pesquisa dinamarquês premiou os pesquisadores com cerca de R$ 5 milhões para darem prosseguimento na pesquisa, desta vez, em humanos.

De acordo com Dr. Søgaard, pesquisador sênior do Hospital da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que lidera o estudo, os primeiros sinais são “promissores”.

– Estou quase certo de que teremos sucesso. O desafio será fazer o sistema imunológico dos pacientes reconhecer o vírus, depois de exposto, e destruí-lo. Isto depende da força e da sensibilidade dos sistemas imunes individuais – afirmou

Quinze pacientes estão participando dos ensaios e, se eles forem considerados curados do HIV, o tratamento será testado em uma escala mais ampla.

A pesquisa da equipe dinamarquesa está entre o movimento mais avançado e rápido do mundo para a cura do HIV.

Comportamento seguro

Dr Søgaard ressaltou que a cura não é o mesmo que uma vacina preventiva e que a sensibilização de comportamento inseguro, incluindo relações sexuais desprotegidas e compartilhamento de agulhas, ainda são de suma importância na luta contra o HIV.

Com o tratamento moderno HIV, o paciente pode viver uma vida quase normal, mesmo em idade avançada, com efeitos colaterais limitados.

No entanto, se a medicação for interrompida, o vírus pode voltar a se multiplicar no organismo do indivíduo e os sintomas da Aids podem reaparecer em duas semanas.

Encontrar uma cura iria libertar o paciente da necessidade de tomar medicação contínua HIV e salvar bilhões em serviços de saúde pública.

http://www.folhamax.com.br/curiosidades/pesquisadores-dinamarqueses-anunciam-cura-para-o-hiv/75923

Conferencia CBNN – Aparecida 2016 – Pastoral da Aids testemunha presença da Igreja no enfrentamento da epidemia

Conferencia CBNN – Aparecida 2016 – Pastoral da Aids testemunha presença da Igreja no enfrentamento da epidemia

Durante 54ª Assembleia Geral da CNBB, coordenação da Pastoral apresentou trabalhos e projetosO bispo da diocese de Goiás (GO), dom Eugênio Rixen, apresentou o trabalho da Pastoral da Aids, da qual é referencial, aos participantes da 54ª Assembleia Geral da Conferência Nacional da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que aconteceu entre os dias 06 e 15 de abril, em Aparecida (SP). O assessor nacional, frei Luiz Carlos Lunardi, e o secretário executivo da Pastoral, frei José Bernardi, explicaram como se dá a “presença da Igreja no enfrentamento da epidemia”, por meio da atuação da Pastoral.Na ocasião, foi lembrada a menção à Pastoral da Aids no Documento de Aparecida, publicado pelo Conselho Episcopal Latino-Americano, após o encontro de 2007. A indicação de fomento do serviço pastoral às pessoas com HIV/Aids “confirmou o trabalho que a Pastoral vinha desenvolvendo desde 2002”.

Durante a exposição, houve a recordação do trabalho. A “caminhada pastoral” remete ao início da epidemia da doença na década de 1980, época em que a Igreja já estava presente na vida das pessoas que foram infectadas.

Falaram da articulação com a CNBB e as Pastorais Sociais, com o estabelecimento de uma “comissão técnico científica” dentro da Pastoral da Saúde que tratou do tema. Neste período, houve a indicação de dom Eugênio Rixen para o acompanhamento da Pastoral, que foi criada em fevereiro de 2002.

A espiritualidade do serviço da Pastoral da Aids, de acordo com a coordenação nacional, está baseada nas passagens da parábola do bom samaritano e da cura do cego Bartimeu. “A Pastoral da Aids procura combater as forças que sufocam, escondem, deixam na clandestinidade as pessoas que vivem com HIV ou Aids. Ao mesmo tempo, os agentes são convidados a incentivar a organização e apoiar os movimentos que gritam para defender e promover os seus direitos”, contou frei Bernardi.

Campos de atuação

A Pastoral da Aids atua organizada em quatro linhas de ação: formação de agentes, prevenção, acompanhamento às pessoas vivendo e convivendo com HIV e incidência política. “São elas que dão o rosto e a contribuição da Pastoral para o enfrentamento da epidemia no Brasil”, explicou frei Bernardi.

Trabalho em parceria

“Para um problema complexo, dificilmente somente uma instituição é capaz de oferecer todas as respostas”, afirmam os coordenadores. Esta realidade exige um trabalho em rede, “mesmo quando não há concordância total com os demais sujeitos sociais que participam do enfrentamento da epidemia”. A Pastoral realiza parcerias com o Ministério da Saúde, especialmente com o Departameto de DST, Aids e Hepatites Virais; outras organizações governamentais e internacionais; outras Pastorais e organizações não governamentais, como Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e a Rede de Jovens Vivendo e Convivendo com HIV; e recebe a colaboração de agências católicas internacionais nas atividades.

Gratidão

“Compreendemos que muitas pessoas sejam reticentes a este trabalho e muitas vezes experimentamos fracassos e desilusões. No entanto, temos convicção de que muita gente redescobre o sentido da vida por causa do contato com a Pastoral e seus agentes”, partilharam os membros da coordenação.

Agradecendo pela possibilidade de “manifestar o rosto misericordioso de Deus e sinalizar o amor incondicional do Pai que nos ama apesar de tudo”, a Pastoral ressalta o acolhimento em pelo menos 170 dioceses do Brasil, com coordenações em 14 regionais da CNBB.

“Agradecemos calorosamente cada bispo, cada padre, cada religioso e religiosa, cada leigo e leiga que aceitou o desafio de enfrentar esse tema e que abriu espaço para que a Igreja se fizesse presente nestes ambientes”, manifestaram.

Diagnóstico precoce

Outro tema abordado nesta comunicação da 54ª Assembleia Geral da CNBB foi a Campanha de Diagnóstico Precoce do vírus HIV, promovida em 2014, numa parceria da Pastoral com a CNBB e o Ministério da Saúde. O tema de trabalho escolhido foi “Cuide bem de você e de todos os que você ama. Faça o teste HIV”. O objetivo, estendido aos bispos durante esta assembleia, é incentivar o diagnóstico precoce do HIV para, assim, contribuir com a otimização do tratamento e evitar novas infecções.

 

“Existem quase 800 mil pessoas com HIV no Brasil, precisamos agir”, diz Kevin Frost, da amfAR para a “Época”

“Existem quase 800 mil pessoas com HIV no Brasil, precisamos agir”, diz Kevin Frost, da amfAR para a “Época”

14/04/2016 – 11h

Nesta sexta-feira (15), mais uma vez, acontece na casa do empresário Dinho Diniz, em São Paulo, a 6ª edição do Inspiration Gala da amfAR — Fundação para a Pesquisa da Aids. Entre as atrações, Ricky Martin, que fará um dueto com Ivete Sangalo, e a modelo Naomi Campbell. A causa é de extrema importância. “O gala de São Paulo é responsável, sozinho, por cerca de um terço de arrecadações dos galas realizados em todo mundo. Foram U$ 8,5 milhões ao longo de todas as edições paulistas, frente aos U$ 26 milhões arrecadados mundialmente”, afirma Kevin Frost, CEO da amfAR, que, na reta final de todos os preparativos para o evento, concedeu entrevista para a coluna de Bruno Astuto no site da revista “Época”:

Como estão os avanços nas pesquisas para encontrar a cura do HIV?

A pesquisa para a cura do HIV tem sido incrivelmente excitante nos dias de hoje. Nós recentemente anunciamos a criação do Instituto amfAR para pesquisa da cura do HIV, que é uma iniciativa colaborativa inovadora, localizada na Universidade da Califórnia, São Francisco. É o principal pilar da estratégia de investimento de US$ 100 milhões na pesquisa da cura e seu objetivo será desenvolver a base científica da cura para o HIV até o fim de 2020. Desde o lançamento da Contagem Regressiva para a Cura, em 2014, já investimos mais de US$ 32 milhões de dólares em torno da iniciativa, apoiando mais de 115 cientistas em 44 instituições de pesquisa em todo o mundo.

Faltam quatro anos para o fim da contagem regressiva, estipulada para 2020, feita por vocês. Como crer nesse prazo?

Eu me lembro de quase 10 anos atrás, muitas pessoas dentro da comunidade científica de HIV/aids pensavam que era impossível encontrar uma cura. Mas houve uma mudança drástica desde então. O ceticismo generalizado foi substituído por um otimismo genuíno em busca da cura entre os pesquisadores. Eu acredito que a cura poderia ter uma série de formas. É possível que ela se pareça mais com o tipo de remissão em longo prazo que estamos acostumados a ver no câncer. O vírus ainda pode estar lá, mas mantido permanentemente num compartimento, como resultado de uma intervenção ou outra, ou uma combinação de terapias que criam remissão. Acreditamos que vamos ter alcançado uma remissão se uma pessoa não é mais infecciosa, não requer tratamento ao longo da vida com a terapia antirretroviral, e não tem vírus detectável durante pelo menos cinco anos. O que precisamos fazer é construir a ciência em torno da cura. Esta é a nossa meta para 2020, e nós sabemos que isso será gradual e evolutivo. Nós já identificamos a principal barreira – os reservatórios, ou bolsos, de vírus que permanecem em uma pessoa, mesmo depois de terem atingido o chamado nível ‘indetectável’ de HIV como resultado da terapia antirretroviral.

Quais as descobertas científicas apoiadas pela amfAR?

Durante os primeiros anos da epidemia, nós apoiamos um estudo pioneiro da cientista Ruth Ruprecht, de Harvard, sobre a prevenção da transmissão do HIV de mãe para filho, usando antirretrovirais. Agora somos capazes de prevenir a transmissão aos recém-nascidos. Há outro estudo dessa época que descobriu como o vírus entra na célula. O caso de Timothy Brown, conhecido como o ‘Paciente de Berlim’, foi a primeira pessoa considerada curada do HIV, após o tratamento na Alemanha, é um exemplo. Ele precisava de um transplante de células-tronco e encontrou um doador. Ele não foi re-infectado e tem estado curado do HIV por anos. Das seis classes de drogas que tratam as pessoas com HIV, quatro delas encontraram seus caminhos através da pesquisa apoiada pela amfAR.

Como você se tornou ativista na luta contra a doença?

Não era algo que eu queria fazer na vida. Eu estudei música e queria ser um cantor de ópera. Eu me mudei para Nova York em 1990 e aqueles eram tempos terríveis. A aids estava em toda parte. Pessoas morrendo. Os hospitais estavam superlotados. Alguns deles não atendiam pessoas com aids. A epidemia tem sido a maior ameaça à saúde para a comunidade gay (minha comunidade ) que já existiu. Eu estava com medo de que eu iria morrer. Eu não podia ficar como um espectador inocente e não fazer nada. Então, eu só fiz o que pude. Eu me tornei um ativista e comecei a trabalhar em um hospital de Nova York, em seu programa de pesquisa sobre a aids. Comecei na amfAR há 22 anos, como assistente do diretor de pesquisa. E eu simplesmente fiquei.

Esse medo de morrer de aids passou?

Apesar do aumento de novas infecções pelo HIV entre jovens de todo o mundo, muitas vezes as pessoas jovens não se percebem como um grupo de risco para o HIV/aids. Isso levou a um declínio no sexo seguro entre eles. Este grupo nasceu após os primeiros casos terem ganhado as manchetes. Muitos adultos jovens no Brasil, Estados Unidos e muitos outros países nunca conheceram um mundo sem aids. Mas saber sobre a doença e acreditar que você está pessoalmente em risco são coisas diferentes. E, muitas vezes, os jovens não acreditam que estão em risco.

Os galas são tão glamourosos para chamar a atenção da mídia? Não seria mais eficiente reunir pesquisadores e médicos do que celebridades e modelos?

Na amfAR fazemos as duas coisas. Nossas reuniões de cientistas e pesquisadores podem não conseguir manchetes nos meios de comunicação, mas eles são importantes para ajudar a conduzir diretamente a pesquisa rumo à cura. Nós também fomos abençoados de ter o apoio de tantos artistas e celebridades assistindo a nossos eventos de gala e nos ajudando a ampliar nossa missão de encontrar uma cura para a aids. Eu acho que uma das principais razões pelas quais celebridades e muitos outros do mundo do entretenimento têm apoiado a amfAR por tantos anos é por causa do legado que Elizabeth Taylor, uma das co-fundadores da amfAR, deixou para trás. Ela foi uma das primeiras celebridades a se manifestar contra a aids, o estigma e a discriminação que afetou tantas pessoas que vivem com a doença. Ela entendeu que poderia usar sua fama para algo bom e se tornou uma das vozes mais fortes na luta contra a epidemia. Hoje celebridades têm aprendido com ela e querem usar sua fama no apoio de causas nobres. Felizmente, muitos deles estão seguindo os passos da Dama Elizabeth e estão apoiando a amfAR em nosso esforço para encontrar a cura.

Falando em celebridades, quais as maiores parceiras de vocês?

Temos a sorte de ter uma longa lista de top celebridades que têm apoiado amfAR ao longo dos anos, viajando por todo o mundo e ganhando a atenção da imprensa que vai junto com o seus poderes de estrelas. Isto inclui a nossa presidente de campanha global, Sharon Stone, e outros defensores, incluindo Milla Jovovich, Kate Moss, Heidi Klum, Naomi Campbell, Uma Thurman e Leonardo DiCaprio.

Quanto espera arrecadar no próximo evento?

Nós esperamos que o Inspiration Gala São Paulo seja um sucesso assim como as últimas cinco edições. Nossos grandes apoiadores, como Kate Moss, Naomi Campbell, a família Diniz, Ricky Martin e outras celebridades e patrocinadores vão trazer a mesma quantidade de brilho e energia para o nosso evento, o que irá nos ajudar a arrecadar fundos para as pesquisas de HIV/aids. Ao longo dos nossos 30 anos de história, a amfAR encarou vários desafios e entendemos que o Brasil está passando por um momento crítico. Mesmo assim, a questão continua sendo um problema de saúde pública no país. Existem quase 800 mil pessoas vivendo com a doença [na verdade, com o vírus] no Brasil e é por isso que precisamos agir.

Fonte : Época / http://agenciaaids.com.br/home/noticias/noticia_detalhe/24755#.VxEqxtQrK70

“Malhação” se redime da cabeçada com tema HIV ao estrear websérie “Eu Só Quero Amar”

“Malhação” se redime da cabeçada com tema HIV ao estrear websérie “Eu Só Quero Amar”

Típico exemplo de que é possível aprender com os erros, a equipe da novela juvenil da Globo, “Malhação”, fez do vexame causado com um capítulo exibido no fim de 2015, quando despejou informações equivocadas sobre transmissão de HIV,  uma oportunidade de se redimir. Ainda é cedo para dizer que acertou, mas se a websérie “Eu Só Quero Amar” seguir o caminho do primeiro episódio, que estreou no portal Gshow neste sábado (2), vai colaborar muito para com o combate ao estigma e ao preconceito contra pessoas vivendo com HIV/aids.

Um dos pontos mais positivos da série implica também uma enorme responsabilidade. Ela dialoga com o público juvenil, faixa em que mais se registra novos casos de HIV. Portanto, ao tratar do tema, não pode errar, como a novela fez em dezembro ao mostrar uma cabeçada num soropositivo, durante um jogo de basquete, como risco de transmissão do vírus.

Dessa vez, a Globo se preveniu.  A parceria com o  Unaids (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids),  para a campanha Viver Melhor, iniciada em setembro de 2015, alcançou  “Malhação”. O infectologista Fernando Ferry foi chamado para uma entrevista com os atores protagonistas da série e da novela, o casal de namorados sorodiscordante Camila (Manuela Llerena) e o soropositivo Henrique (Thales Cavalcanti). O bate-papo serviu de esquenta para a atração —  foi exibido na sexta (1º ),  na seção do Gshow chamada Papo Reto.

Ferry (na foto com os atores)  respondeu dúvidas de telespectadores, que eram feitas pelos atores. Deu informações essenciais de como se transmite, como é o tratamento, falou da importância de se fazer testes. Enfim, foi uma ideia feliz trazer para o portal notícias e dados sobre HIV/aids na véspera da estreia.

O primeiro capítulo tratou de preconceito. Camila sofre, por ela e por Henrique, quando colegas da escola a recriminam por namorar um “aidético” e começa a questionar o peso do julgamento da sociedade. Não se sabe que rumos o romance tomará mas, por enquanto, os namorados estão dispostos a lutar pelo final feliz. Tanto que, em vez de casal sorodiscordante, adotaram o termo casal sorodiferente. “Porque no amor não há discordância”, explica Henrique  para o grupo de amigos que os apoia.

Já foi noticiado no Gshow que um dos momentos mais importantes da websérie será a primeira vez que o casal transa.

“Pela primeira vez na história da televisão brasileira estamos indo além de prevenção, testagem e tratamento do HIV. Estamos falando também de sexualidade, estigma e discriminação”, afirmou Georgiana Braga-Orillard, diretora do Unaids no Brasil.

“Malhação” é uma novela de Emmanuel Jacobina e a série na internet tem como roteiristas Filipe Lisboa e Giovana Moraes, e colaboração de Gabriel Estrëla, ator, cantor e diretor vivendo com HIV, além da consultoria do Unaids.

Dica de entrevista Unaids Brasil

Tel.: (61) 3038-9228

Rede Globo

http://imprensa.globo.com/imprensa/home.aspx

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

http://agenciaaids.com.br/

Cidadãs positivas se encontram em São Paulo para trocar experiências, afeto e aprendizados

Cidadãs positivas se encontram em São Paulo para trocar experiências, afeto e aprendizados

Um abraço coletivo, seguido de falas emocionadas, fechou o encontro que o MNCP (Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas) realizou na quinta e na sexta-feira (31 de março e 1º de abril) num hotel no centro de São Paulo. Nos dois dias, 30 mulheres, 20 vindas de outras cidades do estado e 10 da capital e Grande São Paulo, tiveram tempo de se conhecer, trocar experiências e aprender umas com as outras. Algumas estiveram pela primeira vez numa reunião do movimento, outras voltaram depois de um tempo afastadas e outras frequentam os encontros desde o início do  MNCP, fundado em 2004.

O encontro teve patrocínio do Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo e apoio do Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo). É o primeiro de uma série de três que as cidadãs farão ao longo do ano.  O próximo será no fim de junho e o último, em setembro.

Desta vez, o tema da reunião foi “Controle Social, Reflexão e Participação”. Maria Elisa da Silva, representante do MNCP no estado de São Paulo, adiantou o assunto dos próximos. “No segundo encontro, falaremos mais de direitos humanos e no terceiro, de direitos previdenciários”.

“Esse primeiro encontro foi muito produtivo porque acolhemos muitas mulheres que estão chegando ao movimento e grande parte delas ouviram pela primeira vez os temas aqui abordados”, contou a cidadã Renata Souza, de Presidente Prudente. Coube a ela, que está no movimento há 17 anos, falar sobre a importância da participação das mulheres nos espaços de controle social. “Também falei com elas sobre como funciona a política no Brasil, sobre as estruturas sociais.”

“Cada uma dessas mulheres sai do encontro com o compromisso de levar as informações aqui recebidas para suas regiões. A ideia é que formem núcleos do MNCP em  seus municípios”, disse Maria Elisa.

É o que garante que vai fazer Sandra Maria Paiva, 48 anos, em sua cidade, Fernandópolis,  para onde está voltando depois de cinco anos vivendo em Taboão da Serra, na Grande São Paulo.

“Eu vim trabalhar no Programa de DST/Aids e Hepatites Virais de Taboão, porque na minha cidade eu fiquei estigmatizada. Era conhecida como a Sandra da ONG/aids.”

Assistente social, Sandra conta que foi ela quem ajudou a fundar a primeira ONG de acolhimento a  pessoas vivendo com HIV em Fernandópolis, o Gadip (Grupo de Apoio aos Portadores de Doenças Infecto-parasitárias). “Fazia três anos que eu havia descoberto o diagnóstico positivo. Estava muito mal”, ela disse. “Foi quando meu filho mais velho morreu assassinado, aos 16 anos, e decidi reagir para sobreviver.”

Segundo Sandra, foi lutando que ela redescobriu a vida. “No começo, queria morrer. Eu estava amamentando meu caçula quando fui a um hospital doar sangue e soube do HIV. Felizmente não passei o vírus para ele, que hoje está com 21 anos.”

Atualmente, ela atravessa mais uma fase difícil. Terá de fazer duas cirurgias: uma bariátrica e uma no joelho. Por conta disso, está afastada do trabalho. “Ficar sem fazer nada estava me deixando muito mal. Esse encontro me mostrou que posso ajudar outras mulheres montando um núcleo do MNCP nessa minha volta a Fernandópolis.”

Já Sandra Conceição dos Santos encontrou na reunião possibilidades de parcerias para a ONG que preside, a Fundação Poder Jovem, especialmente agora que a entidade prepara o lançamento da Rede Nacional de Mães Vivendo e Convivendo Positivamente. Ela aproveitou e convidou todas as cidadãs para o lançamento da rede no dia 9 de abril, na Unibes (Rua Oscar Freire, 2.500), durante o evento Virada da Saúde.

“É o meu primeiro contato com o movimento e saio daqui me considerando uma cidadã”, disse Sandra Conceição.

Foi o segundo encontro com as mulheres do MNCP para a  jovem Flor, de 32 anos, do litoral. A estreia foi no ano passado, também num hotel, no centro da cidade. “Eu estava em dúvida sobre o queria para mim e, em 2015,  participei mais como ouvinte”, revelou Flor.  Um ano depois, ela ainda prefere ser discreta quanto à sorologia, mas tem certeza de que ganhou coragem dentro do movimento e  que esse é apenas o começo da jornada que vai empreender. “Tenho ocupado cada vez mais espaços.”

Rosa, 50 anos,  usuária do Projeto Bem-Me-Quer e moradora de Francisco Morato, fez sua estreia no MNCP e disse que os dois dias de reunião a ajudaram a  recuperar sua autoestima. “Estava muito abatida, a chuva derrubou recentemente uma parede da minha casa, terminei um relacionamento, enfim, me sentia triste e aqui eu me animei.”

Para Tereza Rodrigues, 68 anos, o encontro foi, na verdade, um reencontro com a luta contra o HIV. “Eu tive umas desilusões no ativismo”, contou. “Então, me afastei de tudo. Depois, fiz um tratamento de câncer. Agora estou melhor, passei a frequentar a ONG Bem-Me-Quer e foi lá que soube desse encontro das cidadãs. Adorei. É a minha praia.”

Dica de entrevista

MNCP

mncpbrasil@gmail.com

Fátima Cardeal (fatima@agenciaaids.com.br)

http://agenciaaids.com.br/

Soropositiva morre em pronto-socorro de São Paulo após esperar mais de 48 horas por vaga numa UTI

Soropositiva morre em pronto-socorro de São Paulo após esperar mais de 48 horas por vaga numa UTI

A ONG Bem-Me-Quer entrou em luto na manhã desta quinta-feira (31), com a morte de uma de suas mais assíduas usuárias, Joana Souza*, de 52 anos. Joana frequentava a ONG desde 2001 e foi internada no último domingo (27), no Pronto-Socorro (PS) Municipal de Perus, zona norte de São Paulo. Ela morreu na noite de quarta-feira (30) à espera de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e com grave quadro de insuficiência respiratória.

Joana era soropositiva e sofria de problemas renais. Ela decidiu ir ao hospital depois de uma indisposição, segundo Margarete Preto, do Bem-Me-Quer e do Foaesp (Fórum de Ongs/Aids do Estado de São Paulo). Já estava na unidade de saúde quando sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e o quadro se agravou. “Os médicos solicitaram com urgência uma vaga na UTI, mas fomos informados, pela Central Reguladora de Vaga Municipal, que não havia vaga. Na segunda-feira (28) ela ainda estava na enfermaria do PS”, conta a ativista.

Ainda, segundo Margarete, dois voluntários da ONG foram até o hospital ver de perto o caso relatado pelos familiares de Joana. “Eles procuraram o assistente social da unidade e o mesmo entrou em contato com a central de vagas e constatou que ainda não havia lugar nas UTIs.”

Margarete decidiu, então, buscar ajuda no CRT (Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids). “Liguei no serviço e conversei com uma pessoa de nome Mara. Ela me explicou que, como a paciente estava num serviço municipal, a vaga teria de ser regulada pelo serviço do município.”

Margarete segue contando que ela e os colegas do Bem-Me-Quer entraram em contato com o Programa Municipal de DST/Aids de São Paulo e com uma funcionária chamada Adalgiza, da Central de Regulação de Vagas Municipal. “Fui informada de que ainda não havia vaga.”

Na terça e na quarta-feira, a paciente continuou na emergência do PS de Perus, sem previsão de conseguir vagas. “Na noite de quarta, ela sofreu outras duas paradas cardíacas e não resistiu”, lamenta Margarete.

“Minha mãe estava muito inchada. Ela precisava fazer hemodiálise, mas os médicos disseram que ela não ia aguentar. Ela sofreu muito”, conta Suzana*, filha de Joana.

“O que me disseram é que ela não conseguiu vagas porque os hospitais estão lotados por conta da gripe H1N1e da dengue. Mas nós, pessoas com HIV, não podemos aceitar essa situação. Nossa amiga morreu pelo descaso público, por falta de assistência na cidade de São Paulo. Não temos leitos no estado e no município”, protesta Margarete.

A ativista ressalta que não é a primeira vez que acontece um caso desse e que a falta de leitos já dura a muito tempo “Muitas pessoas com HIV estão morrendo por isso. Já registramos mortes por falta de leitos em Araraquara, em Dracena e agora no quintal da nossa casa. O surto de dengue e gripe não é desculpa por falta de leitos, temos uma deficiência no sistema. Não adianta testar 90% da população sem ter estrutura para atender a todos. Estamos indignados com os serviços públicos de saúde.”

Manifestação do Foaesp

O Foaesp emitiu a seguinte nota de repúdio pela morte de Joana:

O Foaesp vem, por meio desta nota,  manifestar sua revolta e repúdio à falta de gerenciamento de leitos para internação, sob a administração da secretarias Estadual  e Municipal de Saúde de São Paulo.

Temos assistido a constantes problemas relacionados com pacientes crônicos, que recorrem às estas instituições em busca de cuidado e enfrentam a limitação causada pela burocracia e a falta de políticas públicas claras e sintonizadas.

A destinação de leitos a doenças crescentes como H1N1, dengue e outras, tem gerado dificuldades de internação, acomodação inadequada em enfermarias e, não raro, risco grave de óbito frente a esta realidade.

Constantemente temos visto casos deste tipo e, por intermédio de relatos e acompanhamentos de usuários das ONGs afiliadas ao Foaesp, presenciado esta triste realidade ainda sem solução, apesar das frequentes denúncias feitas aos órgãos de fiscalização e controle social.

Sendo “a saúde um direito de todos e um dever do Estado” causa repúdio a inoperância da gestão estadual e municipal que ameaça vidas na medida que faz ” escolhas” entre pacientes, se deixando levar por modismos de modelo de atenção, sobretudo os mais propagados pela mídia com interesses nem sempre claros.

O Foaesp acompanha atento esta grave situação e estuda fazer denúncias ao Ministério Público, aos órgãos de fiscalização e à sociedade em geral, cobrando ações coerentes com a carga de responsabilidade que os governantes assumiram.

Outro lado

A Agência de Notícias da Aids entrou em contato com as secretarias de Saúde do estado e do município.

A assessoria do Estado explicou que o município de São Paulo tem gestão plena em saúde e uma regulação de vagas própria. Disse também que não houve pedido de vaga para a paciente na Central de Regulação de Vagas do Estado.

Também por meio de sua assessoria, a Secretaria Municipal de Saúde nos enviou a seguinte resposta:

“A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que a sra. Joana deu entrada no PSM Perus em 27/3. A paciente foi prontamente atendida e avaliada pela equipe médica, que diagnosticou um quadro de septicemia e problemas renais. No dia 28, houve piora do quadro clínico. A Central de Regulação do Município solicitou vaga de UTI com diálise para alguns hospitais estaduais e Santa Casa, sem retorno positivo. Os pedidos foram renovados nos dias 29 e 30. A paciente seguia com cuidados médicos intensivos, mas evoluiu a óbito às 18h12 do dia 30. Em nenhum momento a sra. Joana deixou de ser assistida.”

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

http://agenciaaids.com.br