Autoridades e especialistas alertam para recuos na luta contra Aids

Autoridades e especialistas alertam para recuos na luta contra Aids

RIO – O mundo corre o risco de ver os avanços na luta contra Aids dos últimos anos sumirem ou até se reverterem se não houver mais investimentos e atenção em prevenção, desenvolvimento e acesso a medicamentos.
O alerta foi feito por autoridades, especialistas e celebridades que participam esta semana da 21ª Conferência Internacional sobre Aids, aberta ontem em Durban, África do Sul. No início do evento, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-Moon, afirmou que os ganhos globais no combate à doença são “inadequados e frágeis” e destacou que mais da metade dos infectados pelo HIV no planeta — ou cerca de 20 milhões de pessoas —, ainda não recebe tratamento.
A falta de acesso aos medicamentos foi motivo de protestos no primeiro dia do evento e coloca em risco o objetivo da ONU de acabar com a epidemia até 2030 por meio da estratégia conhecida como “90-90-90”, segundo a qual, até 2020, ao menos 90% das pessoas com o vírus devem ser diagnosticadas, das quais no mínimo 90% devem ser tratadas e, destas, 90% ficarem com uma carga viral tão baixa que ele não possa ser detectado. — Precisamos nos mover rápida e decisivamente para atingir as metas que nos ajudarão a finalmente levar ao fim esta epidemia — disse Moon. Presidente da conferência, Chris Beyrer, professor da Escola Bloomberg de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, EUA, advertiu que a reunião deste ano acontece em um “novo momento crucial da epidemia de HIV”.
Na semana passada, relatório do Programa das Nações Unidas para HIV/Aids (Unaids) apontou lacunas nos programas de prevenção que estão levando a uma estabilização e até aumento, em algumas regiões do mundo, nas novas infecções pelo vírus nos últimos cinco anos. — Para termos sucesso em todos os lugares e com todas as pessoas, precisamos nos assegurar que cada ação tenha como base a ciência, o respeito aos direitos humanos e seja totalmente financiada — considerou Beyrer. — Se não fizermos a escolhas estratégicas corretas, arriscaremos reverter avanços que foram difíceis de alcançar. Abia: Brasil não tem estratégia de prevenção.
Assim, a conferência bianual, que este ano tem como tema “Direitos de acesso iguais já”, vai focar os impactos das barreiras legais, políticas e sociais na luta contra a Aids, em especial nas populações com maior risco de infecção: homens que fazem sexo com homens; transgêneros; trabalhadoras sexuais; usuários de drogas injetáveis; e prisioneiros.
Até sexta-feira, mais de 18 mil delegados, entre autoridades, cientistas, ativistas e profissionais de saúde discutirão estes e outros assuntos, com a apresentação de aproximadamente 2,5 mil trabalhos científicos e centenas de eventos oficiais e paralelos. — Não vamos acabar com a Aids se não abordarmos as necessidades dos indivíduos e comunidades mais vulneráveis, mas, ainda assim, muitos deles estão sendo deixados para trás — lembrou Beyrer. — A proteção dos direitos humanos não é só uma questão moral, mas também científica.
Pesquisas a serem apresentadas nesta conferência vão demonstrar que a exclusão e a discriminação ajudam a alimentar a disseminação do HIV. Entre os participantes da conferência que vão lidar justamente com este tema está Veriano Terto Jr., coordenador da área de acesso a tratamento da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), que lança amanhã em Durban a publicação “Mito versus realidade: Avaliação da resposta brasileira ao HIV em 2016”.
No documento, a Abia denuncia o que classifica de “grave situação brasileira” no combate à doença, com críticas à estratégia do país, acusada de ser muito voltada para o tratamento, mas quase seminvestimento em educação e prevenção. — Nos últimos anos, devido a tendências conservadoras dentro da sociedade, não fizemos um trabalho adequado de prevenção focado nas populações mais vulneráveis.
Tivemos campanhas do governo censuradas pelo próprio governo — aponta Terto. — O combate centrado apenas nos medicamentos tem riscos gravíssimos. Precisamos trabalhar com conscientização, educação sobre prevenção nas escolas.
No Brasil e no mundo, há uma tendência de usar os medicamentos como forma de prevenção, o que é uma estratégia importante, mas não pode ser a única. Tem que haver educação. Em nota, o Ministério da Saúde rebateu as críticas da Abia, afirmando que só em 2015 o governo federal investiu cerca de R$ 32 milhões em campanhas relacionadas ao HIV-Aids e que “o uso do tratamento como ferramenta de prevenção é uma estratégia amparada nas mais recentes evidências científicas, sendo adotada por vários países do mundo”.
“Isso não significa que o país tenha negligenciado a prevenção clássica. Pelo contrário, o Brasil vem diversificando suas ações dentro de um conceito de prevenção combinada, que inclui não apenas distribuição de preservativos, mas também uma série de ações educativas”, acrescenta o texto.
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Fonte: http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/autoridades-especialistas-alertam-para-recuos-na-luta-contra-aids-19742623

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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