“Ressignifiquei minha vida ao descobrir que estava infectado pelo HIV”, diz poeta Ramon Nunes Mello, na Flip

“Ressignifiquei minha vida ao descobrir que estava infectado pelo HIV”, diz poeta Ramon Nunes Mello, na Flip

O poeta e jornalista Ramon Nunes Mello, de 32 anos, foi uma das atrações na 14ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). A edição 2016, em que Ana Cristina Cesar foi homenageada, terminou neste domingo (3) e foi marcada pela poesia. Ramon falou na última mesa do sábado (2) e dedicou sua participação “a dois grupos que estão sendo exterminados no Brasil, que entendo como ato político”. Citou então homossexuais e índios. Depois, criticou o presidente interino Michel Temer. “Me sinto profundamente envergonhado com o governo Temer. É inadmissível o governo acabar com o Ministério dos Direitos Humanos, das Mulheres, isso não existe, é crime.” Nunes Mello lançou em abril o livro de poesia “há um mar no fundo de cada sonho”. Publicou ainda “Vinis mofados” e “Poemas tirados de notícias de jornal”. No dia 1º de dezembro do ano passado, Dia Internacional da Luta contra Aids, publicou no blog do deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) um texto no qual dizia ser soropositivo.

O poeta contou na Flip como descobriu que é soropositivo e falou como isso influenciou sua obra. “Eu não conseguia escrever sem ser atravessado por essas questões. Passei a me espiritualizar mais, meditar. Isso me ressignificou a vida. Passei a me relacionar com as palavras de forma melhor.”

Ele também agradou com leituras (na introdução de uma delas, o convidado tocou uma espécie de berrante indígena) e comentários sobre o fato de ser soropositivo. Reconhecendo o efeito do diagnóstico em seu livro mais recente, “Há um mar no fundo de cada sonho” (Verso Brasil), Nunes Mello afirmou por outro lado que entende que a literatura “não deva ser panfletária”.

A aproximação da cultura indígena, segundo explicou, aconteceu depois do diagnóstico. “Passei a me espiritualizar mais, meditar, e o processo com Ayahuasca [também chamado de chá do Santo Daime] fundamental”, comentou. “Tirou um processo de depressão profunda.” Ele, que mencionou influências de música brasileira (Adriana Calcanhotto, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Marina Lima), hoje tem preferência por cânticos de pajés.

O poeta ganhou palmas ao pedir que mais mulheres sejam homenageadas pelo evento. Em 2016, pela segunda vez em sua história, a Flip escolheu prestar tributo a uma escritora. “Espero que venham mais mulheres, brancas, negras, todas que tiver”, disse Nunes Mello. “Não por uma questão de gênero, mas de oportunidade. Porque há histórias que mulheres podem contar e que a gente não conhece, então venham, mulheres.”

Por fim, criticou a visão “oitentista” que a sociedade costuma dirigir aos soropositivos e citou a “consciência política” que veio como consequência do resultado do exame. Pediu que o governo apoie os portadores do vírus HIV com distribuição gratuita de medicação e auxílio de transporte. E condenou a extinção de ministérios.

A jornalista Roseli Tardelli, diretora desta Agência, e as drags Dindry Buck e Sissi Girl, estiveram na Flip para uma roda de conversas sobre arte, aids e prevenção e distribuiram preservativos aos participantes do maior evento literário da América Latina. (leia mais)

Resultados da Flip

Na 14ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) caiu o público que assistiu aos debates dentro da tenda dos autores.

Segundo os organizadores, nos quatro primeiros dias de Flip compareceram cerca de 12,5 mil pessoas no espaço onde os grandes nomes falam. Já no ano passado foram mais de 13,2 mil pessoas.

No entanto, o público que acompanhou gratuitamente as palestras no telão do lado de fora cresceu. Neste ano foram 11 mil pessoas e no ano passado foram cerca de 8 mil pessoas. Ainda falta contabilizar a plateia das três mesas do domingo (3), último dia da Flip.

O diretor-presidente da Flip, Mauro Munhoz, considerou o resultado positivo para o cenário de crise e disse que este ano o evento trabalhou com menos recursos.

O curador do evento, Paulo Werneck, também ficou satisfeito e disse que a programação teve um tom político.

A diretora da Flipinha, Belita Cermelli, disse que público do evento neste ano foi diferente.

Redação da Agência Aids com informações da Folha de S. Paulo, do O Globo e da Agência Brasil

* A Agência de Notícias da Aids cobriu a Flip com o apoio da DKT do Brasil, da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo e da Rosana Flores

http://agenciaaids.com.br/

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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