Pesquisador norte-americano Kenneth Mayer defende PrEP e PEP como alternativas de prevenção ao HIV

 

Pesquisador norte-americano Kenneth Mayer defende PrEP e PEP como alternativas de prevenção ao HIV

A camisinha ainda é a melhor forma de prevenção ao HIV, mas não a única opção. E foi justamente para falar sobre as novas tecnologias de prevenção – biomédicas ou não – que especialistas se reuniram na manhã desta quarta-feira (18), na 1ª sessão plenária do 10ª Congresso de Aids e 3º Congresso de Hepatites Virais, em João Pessoa.

O pesquisador norte-americano Kenneth Mayer, professor da escola de medicina de Saúde Pública de Harvard, defendeu a PrEP (profilaxia pré-exposição)  como mais um instrumento de prevenção ao HIV.  “Precisamos de PrEP porque temos 35 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo e se fizermos as contas, menos de um terço dessas pessoas têm carga viral suprimida. Ou seja, temos que garantir a proteção das pessoas não infectadas.”

O tratamento preventivo contra o HIV consiste no uso regular combinado dos antirretrovirais tenofovir e emtricitabina (Truvada) por pessoas saudáveis que mantêm relações com parceiros infectados pelo HIV, com o objetivo de evitar contrair o vírus.

“Os efeitos colaterais são muito leves e são caracterizados por náuseas, dores de cabeça e diarreias. Mas tendem a desaparecer no início do tratamento. Sabemos que o preservativo funciona se ele for utilizado, mas é preciso investir em novas alternativas”, defendeu Kenneth.

A PrEP ainda não está disponível no Brasil, mas há um estudo coordenado pela Fiocurz que avalia qual será a aceitação desta tecnologia no país, o PrEP Brasil. Segundo o diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita, “há um comitê técnico no Ministério da Saúde estudando todas as possibilidade e provavelmente a PrEP estará no SUS em 2016.”

PEP

O pesquisador norte-americano também falou sobre a importância da PEP (profilaxia pós-exposição) contra o HIV. Diferente da PrEP,  a PEP Sexual (profilaxia pós-exposição) é uma espécie de “coquetel do dia seguinte”. Indicada para quem já se expos ao risco, ela impede a instalação do vírus se tomada em até 72 horas após o contato e durante 28 dias seguidos, sempre com orientação médica.

“Essa estratégia funciona e deve ser utilizada. Mas é importante que as pessoas recebam o tratamento completo.”

Brasil

Do Departamento de Aids, a psicóloga Maria Cristina Pimenta falou sobre as novas alternativas de prevenção combinada que o Brasil tem adotado no enfrentamento da epidemia, como o uso do tratamento como prevenção (TASP, em inglês), a profilaxia pós-exposição, o testar e tratar, as práticas de redução de danos, proteção aos direitos humanos, entre outros . “Para acelerar a resposta brasileira contra a aids precisamos focalizar esforços nas políticas de saúde e de proteção social das populações que apresentam as maiores taxas de prevalência da doença. Hoje, a taxa entre os HSH [homens que fazem sexo com homens] é de 10,5; entre travesti e transexuais é de 8%; mulheres profissionais do sexo 4,9; e usuários de drogas chegam a 5,9.”

Ainda, segundo Pimenta, é preciso investir cada vez mais no combate ao estigma e discriminação, falar sobre praticas de prevenção com foco na educação de pares, e divulgar as intervenções biomédica. Ela também defendeu que não é possível falar de prevenção apenas com foco no preservativo.

Dados divulgados pelo Ministério da Saúde em fevereiro de 2015 – sobre a Pesquisa de Conhecimentos Atitudes e Práticas na População Brasileira (PCAP) 2013 – mostram que a maioria dos brasileiros (94%) sabe que o preservativo é melhor forma de prevenção às DST/aids. Mesmo assim, 45% da população sexualmente ativa do país não usou preservativo nas relações sexuais casuais nos últimos 12 meses.

“A prevenção combinada visa oferecer uma alternativa a esta questão. Apesar de campanhas e do grande incentivo ao uso do preservativo, sabe-se que o uso destes é uma decisão do indivíduo e alguns não aderem de forma consistente e frequente a essa estratégia de prevenção”, finalizou.

A advogada do Grupo Pela Vidda Niterói, Patrícia Rios, também esteve na mesa e falou sobre as dificuldades e avanços na luta contra a doença. “Já avançamos muito, mas precisamos continuar caminhando para garantir todos os direitos das pessoas que vivem com HIV. Temos enfrentado uma onda conservadora, mas vamos ser firmes e lutar contra a aprovação do projeto de lei que criminaliza a transmissão do HIV. Necessitamos também de vontade política nesta luta.”

O evento conta com a participação de mais de 3 mil pessoas e segue até a próxima sexta-feira no Centro de Convenções da Paraíba.

Talita Martins (talita@agenciaaids.com.br)

Serviço:

10º Congresso Brasileiro de HIV/Aids e 3º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais

Quando: De 17 a 20 de novembro

Onde: Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima

Local: João Pessoa – Paraíba

Contato: aidshvbrasil2015@aids.gov.br

Clique aqui para conferir o site do evento e acompanhar as transmissões ao vivo.

Agência de Notícias da Aids cobre o 10º Congresso de HIV/Aids e o 3º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais a convite do Departamento de DST, Aids de Hepatites Virais (DDAHV)

Foto: Hugo Maranhão 

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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