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Conselho Sobre Drogas elege as entidades civis

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Criado em Sexta, 22 Novembro 2013 09:43
Agora deliberativo, o CMPD empossou representantes da sociedade civil. / Foto: Alexandre Carius

Ontem foi realizado o I Fórum do Conselho Municipal de Políticas Públicas Sobre Drogas, quando foram eleitos os novos membros representantes da sociedade civil no CMPD. A entidade foi reativada em agosto deste ano. Segundo dados do Coordenador da Saúde Mental de Petrópolis, atualmente existem na cidade 4 mil pacientes cadastrados no Centro de Atenção Psicossocial em Álcool e Drogas, (CAPS AD III – Fênix), 500 deles em tratamento.Das 30 cadeiras disponíveis do Conselho Municipal de Políticas Públicas Sobre Drogas, dez são reservadas ao poder público, portanto são indicação do prefeito. A OAB e o Coren-RJ são instituições que não precisam ser eleitas, basta apenas o envio de um ofício para tornar o procedimento oficial. Representantes da Polícia Militar, Civil, do 32° Batalhão de Infantaria Motorizada, Conselho Tutelar e Juizado da Infância, Juventude e Idoso foram escolhidos.

Além disso, duas ongs foram selecionadas: Oficina de Jesus e Sal para Terra, sendo o SOS VIDA como suplente da Oficina de Jesus e a REVIVAS da Sal para Terra. Das associações de moradores, ficaram o Fórum das Associações de Moradores e Centro Comunitário do Contorno. As instituições de ensino superior escolhidas foram a Faculdade Arthur Sá Earp Neto, Fase e Estácio de Sá. Das instituições religiosas ficaram a Mitra Diocesana de Petrópolis e o Conselho de Pastores. Da sociedade civil representando a família, Vanderleia ganhou a cadeira titular, e representando os usuários, Jorge foi escolhido como suplente.

Entidades estudantis e clubes de serviço não foram escolhidos por não haver instituições inscritas nos dois segmentos, por isso uma nova reunião foi marcada para a próxima quinta-feira (28), às 9h. “Esse encontro é muito importante para a administração pública municipal. Hoje a maior preocupação do país é o alto índice de consumo de drogas, principalmente entre os jovens, por isso é essencial encontrar uma diretriz para a criação de políticas públicas eficientes, que se estendam por todos os governos, para que possamos diminuir o número de dependentes químicos na cidade”, ressaltou o secretário de Assistência Social e Cidadania, Jorge Maia.

Número de dependentes químicos aumenta em Petrópolis

Nos anos de 2011 e 2012, se apresentavam semanalmente para tratamento contra o álcool e outras  drogas em Petrópolis cerca de seis pessoas. Em 2013, esse número aumentou muito, totalizando de 20 a 25 indivíduos por semana. “No município, o álcool é a droga mais consumida. No nosso levantamento, sabemos que 60% dos dependentes químicos estão ligados à bebida, enquanto 20%  são usuários de cocaína e 30% de outras substâncias”, informou o coordenador de Saúde Mental de Petrópolis, Rui Carlos Stockinger.

Ainda segundo o coordenador, nas grandes capitais do Brasil existe 1 milhão de pessoas que fazem o uso abusivo de drogas. “Quando os dependentes não são bem assistidos, eles podem desenvolver diversos distúrbios mentais devido ao uso destas substâncias. Os mais comuns são síndrome do pânico, quadros psicóticos e até comprometimento neurológico, por isso é importante que as pessoas compreendam a representatividade do CMPD”, ressaltou Rui Carlos Stockinger.

Psicólogos apontam dificuldade de aceitação da doença por usuários de drogas 

A negação do dependente químico é um dos principais fatores para a não conclusão do tratamento. Muitos acreditam não estar doentes e por isso recusam qualquer tipo de ajuda. “Essa atitude é muito comum e normalmente faz com que a pessoa atinja o pior nível da doença. Nesses casos, a maioria se torna morador de rua, perde o emprego e qualquer vínculo com a família. É importante que todos entendam que os efeitos do uso de drogas são progressivos, que o usuário vai ficando cada vez pior”, explicou a conselheira em dependência química do S.O.S Vida, Andrea Medeiros.

O presidente do S.O.S Vida, Antônio Carlos, relatou o caso de um petropolitano que passou de executivo de uma grande multinacional a mendigo. “Esse rapaz tem duas faculdades, é extremamente inteligente, tinha uma posição importantíssima em uma ótima empresa, mas acabou perdendo tudo por causa do vício no álcool. Quando começamos a tratá-lo, ele estava em um estágio que podia ser revertido mais facilmente, só que, devido à dificuldade de assumir a doença, ele parou o tratamento e acabou chegando ao pior nível da dependência”, contou.

Para Andrea Medeiros, a única maneira de tentar reverter essa situação é revisar as políticas públicas e aumentar a fiscalização nos estabelecimentos que vendem drogas lícitas como bebidas alcoólicas. “Em Petrópolis, a droga mais usada é o álcool, porque o acesso a ele é fácil e pode ser adquirido em qualquer estabelecimento, por isso cada vez mais jovens entre 12 e 13 anos estão tendo contato com esses produtos”, informou.

Participantes do I Fórum do Conselho Municipal de Políticas Públicas Sobre Drogas

A presidente da Associação Brasileira de Álcool e Drogas (Abrad Serrana), Leandra Iglesias, ficou decepcionada com o atraso de pelo menos uma hora e meia do I Fórum do Conselho Municipal de Políticas Públicas Sobre Drogas. Segundo ela, nenhuma satisfação foi dada aos participantes do evento. “Depois de muita demora, eles resolveram liberar um café da manhã, só que ninguém foi ali para comer. Precisamos ficar focados na questão do número cada vez maior de dependentes aqui na cidade, e na falta de ações efetivas e integradas para tentar solucionar este problema. Há 13 anos eu luto pela reativação desse fórum, mas com o descaso de hoje acredito que seja mais um projeto que vai ser iniciado e que morrerá “na praia”. Falta comprometimento do poder público para resolver problemas que afetam pessoas de todo o mundo”, reclamou.

Thaciana Ferrante
Redação Tribuna

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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