A espera de uma vacina ou microbicida mais eficazes, pesquisadores defendem em Salvador ´leque de estratégias´ de prevenção contra HIV

 

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A espera de uma vacina ou microbicida mais eficazes, pesquisadores defendem em Salvador ´leque de estratégias´ de prevenção contra HIV

20/08/2013 – 14h

__Da esquerda para a direita os pesquisadores Jorge Simão Casseb, Eliana Amaral e Ronaldo Rallal

Muito mais fácil do que elaborar estratégias para o uso constante do preservativo seria a descoberta de um novo tratamento, vacina ou microbicida capaz de prevenir o HIV de uma vez por todas. Por esse motivo, geralmente debates que abordam medidas biomédicas preventivas atraem várias pessoas, mesmo que não haja muitas novidades sobre o assunto.

Nesta terça-feira, 20 de agosto, os pesquisadores Ronaldo Rallal, Eliana Amaral e Jorge Simão Casseb conduziram uma mesa de atualização sobre as tecnologias de prevenção ao HIV, durante o XI Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis e V Congresso Brasileiro de Aids, que ocorrem em Salvador.

Ex-coordenador da área de Cuidado e Qualidade de Vida do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, Hallal, hoje médico infectologista no hospital da Santa Casa de Porto Alegre, falou sobre o uso de medicamentos antirretrovirais na prevenção do HIV.

Ele citou o início precoce do coquetel antiaids, quando as células de defesa do organismo do paciente tiverem por volta de 500 células por milímetro cúbico de sangue; a terapia pós-exposição, quando uma pessoa tiver uma relação sexual ocasional e desprotegida com outra possivelmente portadora do HIV; e a terapia pré-exposição para populações em constante vulnerabilidade de infecção.

No Brasil, as duas primeiras estratégias já são usadas em casos específicos, enquanto a terceira ainda está sendo analisada pelo governo.

“Todas essas medidas são úteis, mas precisam ser trabalhadas num contexto de prevenção. Para cada grupo populacional, pode ser aplicada uma dessas estratégias, mas, claro, sem nunca nos esquecermos do preservativo”, comentou.

A professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eliana Amaral atualizou os participantes dos congressos sobre os microbicidas e espermicidas em estudo atualmente no mundo. Ginecologista e obstetra, Eliana se interessou pelo tema em 1989, quando atendeu seu primeiro caso de gestante com HIV.

“O desenvolvimento de um gel ou pomada capaz de prevenir o vírus da aids e a gravidez é imensamente complexo, pois além de ter que obedecer um enorme leque de expectativas das diferentes populações mundiais, precisaria ser tolerável para usar na vagina, em contato com pênis e para pessoas vivendo com HIV… Cada um desses fatores requer vários outros testes”, explicou.

Até o momento, o estudo com melhores resultados para a criação de um microbicida é o CAPRISA, sigla em inglês para Centro de Pesquisas de Aids da África do Sul. O gel contém em sua fórmula 1% do antirretroviral Tenofovir. No total, 889 mulheres sul-africanas sexualmente ativas na faixa-etária entre 18 e 40 anos participaram dos estudos como voluntárias, com o uso do produto, e foram acompanhadas por 30 meses. O gel mostrou uma eficácia média de 39% em todo o grupo estudado, chegando a 54% entre as mulheres que seguiram as orientações à risca.

“Esses resultados já são aceitáveis dentro de um kit de meios de prevenção”, analisa Eliana. “Gosto da ideia de que para a prevenção do HIV é preciso sempre pensar para quem se aplica, onde e como”, acrescentou.

As novidades sobre as vacinas ficaram por conta do professor e pesquisador Jorge Casseb, do Instituto de Medicina Tropical da Universidade de São Paulo. O palestrante, no entanto, abriu sua exposição afirmando que “não há muitas boas novidades sobre o desenvolvimento de uma vacina”.

Segundo ele, já foram investidos cerca de 826 milhões de dólares em pesquisas para uma vacina preventiva e terapêutica contra a aids, mas assim como ocorre nos estudos por um microbicida, ainda não se obteve nenhum resultado suficientemente bom para que valesse a criação de um produto. “O FDA (órgão federal dos EUA responsável pelo controle de alimentos e medicamento) nunca aprovará uma vacina com eficácia menor que 50%”, comentou.

Casseb destaca como maiores dificuldades para a criação de uma vacina: a complexidade e a diversidade do vírus HIV, problemas éticos e políticos nas pesquisas, e recursos financeiros insuficientes.

“É impossível dizer hoje em quanto tempo teremos uma vacina, mas somos teimosos. Enquanto não for criada uma vacina, dificilmente conseguiremos diminuir o avanço da pandemia. Ela deverá ficar apenas estabilizada”, afirmou.

Para o pesquisador, o desenvolvimento de uma vacina que conseguisse pelo menos 40% de eficácia, associada aos outros meios de prevenção já disponíveis, poderia diminuir em 20% o total de novas infecções de HIV no mundo.

Lucas Bonanno, de Salvador

* A Agência de Notícias da Aids cobre os Congressos diretamente de Salvador com o apoio da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e o laboratório MSD. 

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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