A cura da aids chegou?

A cura da aids chegou?

por João Marinho
Pessoal, a revista Superinteressante de agosto vem com uma chamada que todos aguardam há anos, mas é preciso certo cuidado.

A cura da aids ainda não existe. Não, pelo menos, para todos os soropositivos – e não, pelo menos, a chamada cura esterilizante, que significa a eliminação completa do vírus do organismo.
Cautelosos, até o momento, os cientistas falam de um segundo tipo de cura: a cura funcional. Isso significa que ainda podem existir cópias do vírus nos organismos, mas incapazes de causar a doença e que livra o portador de precisar tomar antirretrovirais o restante da vida, quiçá de transmiti-lo.
Já é um grande passo, especialmente se pensarmos que, para muitos vírus que infectam o ser humano, a cura natural é, de fato, a funcional. Por exemplo: você já teve catapora na infância?
Parabéns. Você acaba de descobrir que é um legítimo portador do vírus Varicela-zóster (VZV), que nunca abandona seu organismo.

Ele apenas fica aí, escondido, sob controle do sistema imune e incapaz de causar danos a você e a outros – exceto quando o sistema imune sofre um golpe considerável, e o Varicela-zóster pode vir a causar uma segunda doença, o herpes-zóster.

Fora isso, é uma cura funcional de que todos desfrutamos.
No entanto, ainda não existe, em relação ao HIV, um remédio ou método que possa ser aplicado em larga escala para garantir nem mesmo essa cura funcional.

Assim, evidentemente, a capa da Super é uma estratégia de marketing.

Afinal, vai vender muito.
No entanto, as demais informações da revista procedem, realmente. Se, há alguns anos, ninguém curado (nem funcionalmente) do HIV/Aids existia, essa não é a realidade de hoje em dia. Aliás, a contagem está incorreta: não são 16 pacientes, mas 18.
O primeiro foi o “paciente de Berlim”, Timothy Ray Brown.

Portador do HIV e depois tendo adquirido leucemia, não relacionada ao vírus, foi submetido a um transplante de medula óssea de um portador com uma relativamente rara mutação que torna uma parte das pessoas imune ao HIV, mutação esta mais recorrente entre os povos nórdicos. Deu certo, e Brown se viu livre da leucemia – e da aids.

Os demais vieram em um “boom” de anúncios feitos este ano. Um bebê nos Estados Unidos que apresentou cura após receber um tratamento antirretroviral bem agressivo muito precocemente. Depois dele, mais 14 adultos, dessa vez na França, atingiram o mesmo êxito. Completando o pacote, somam-se mais dois adultos submetidos a transplantes de medula óssea, nos Estados Unidos, para tratar linfomas – e realmente há estudos promissores nesse sentido, um dos quais (não sei se é o citado na reportagem da Superinteressante) conduzido na Dinamarca.

Não se pode falar, porém, ainda em cura (para todos) porque transplantes de medula não são estratégias possíveis em larga escala, ainda mais tendo de buscar doadores compatíveis e com determinadas características genéticas de resistência ao vírus. Tratamento antirretroviral agressivo precoce é mais interessante, mas, até agora, os casos de sucesso se deram em períodos de infecção em que as pessoas sequer sabem que têm o HIV, quanto mais iniciarem o tratamento. Finalmente, os estudos ainda demorarão alguns anos para terem resultados contundentes. O da Dinamarca apenas concluiu a fase in vitro – mas, afinal, há o que comemorar?

Claro que há. Entre falhas e tropeços, a humanidade está “chegando lá” – e hoje a cura, funcional ou esterilizante que seja, está bem mais próxima do que há 30 anos. Afinal, antes não havia ninguém. Agora, 18 pessoas já podem se gabar de terem conhecido o vírus – e de o terem derrotado.

Links:

Paciente de Berlim: http://noticias.terra.com.br/ciencia/unico-a-vencer-hiv-quotpaciente-de-berlimquot-quer-cura-de-outros,d63b00beca2da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

Bebê: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2013/03/medicos-anunciam-cura-funcional-do-hiv-em-bebe-nos-estados-unidos-4062836.html

14 adultos: http://oglobo.globo.com/saude/apos-cura-de-bebe-com-virus-da-aids-estudo-anuncia-exito-em-14-adultos-7848999

2 americanos com transplante: http://g1.globo.com/bemestar/noticia/2013/07/transplante-de-medula-ossea-livra-pacientes-do-virus-hiv-diz-estudo.html

Estudo dinamarquês (em inglês): http://www.aidsmeds.com/articles/misleading_reports_1667_23916.shtml


João Marinho 
– Editor
Sexsites/Van Blad/Brasileirinhas
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Cell Phone: 55 11 99775 8893
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Skype: joao.marinhosp

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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