Pesquisa analisa conflitos profissionais de psicólogos que trabalham em Programa de DST/Aids

Pesquisa analisa conflitos profissionais de psicólogos que trabalham em Programa de DST/Aids

04/02/2013 – 11h30

As consequências que a aids pode trazer para a saúde do paciente, assim como para sua vida pessoal devido ao estigma que envolve a doença, fizeram com que a Psicologia se tornasse uma especialidade necessária nos Programas de DST/Aids. No entanto, o encontro entre a formação em Psicologia e as exigências por parte dos Programas podem produzir “zonas de tensão para o trabalho do profissional”, afirma o pesquisador Ricardo Barbosa Martins.

Ricardo pesquisou em sua tese de doutorado, defendida recentemente na USP, “O programa de DTS/AIDS e a formação em psicologia: determinações e contradições para o trabalho do psicólogo”.

Segundo ele, tal tensão se dá pelo fato de que, ao abordar as condições da subjetividade dos usuários, o psicólogo teme não atender as exigências programáticas postas numa dimensão epidemiológica. Por outro lado, os profissionais que se voltam exclusivamente ao trabalho, munidos das ferramentas propostas pelo Programa, tendem a se afastar de sua área de formação, podendo ocorrer uma ruptura com a ciência da psicologia e suas fontes de investigação e pesquisa. “Tanto um caminho como outro trazem prejuízos para a prática dos psicólogos no tocante à capacidade criativa e investigativa”, diz.

De acordo com o pesquisador, que trabalha no Programa Estadual de DST/Aids de São Paulo há 14 anos, os programas requerem o trabalho do psicólogo de diversas formas, mas também acabam modulando o trabalho do profissional. “Com o passar do tempo o trabalho exercido pouco tem a ver com sua formação, que deveria fornecer um movimento criativo em sua prática”, explica.

Para sanar esta ruptura, o autor da tese defende que as áreas formadoras da psicologia participem mais ativamente dentro dos Programa de Aids, dada a dificuldade do profissional em dialogar com elas. “É necessária uma discussão, um diálogo entre a academia e o SUS (Sistema Único de Saúde)”, disse.
Ricardo defende que a academia se aproxime cedo das áreas de aplicação e dos serviços de saúde. “A Universidade precisa contribuir mais para que o estudante saia com um espírito de pesquisador, para que possa pensar novas tecnologias para lidar com as situações reais sem haver uma ruptura com sua formação. A universidade precisa estar dentro do SUS muito mais do que está hoje”, disse. O pesquisador ainda complementa: “Se os psicólogos têm que abrir mão de sua formação para atuar, o que estamos fazendo no que diz respeito à sua profissão?”.

No estudo, ele entrevistou sete psicólogos do Programa Estadual de São Paulo, e segundo suas conclusões, há espaço para adaptação.

“O profissional em sua atuação tem mesmo que redimensionar, adaptar seu conhecimento e atuação, mas o problema é o abandono, a ruptura com a formação. É interessante que a abordagem seja multidisciplinar, mas se o profissional tem a sua própria prática ameaçada em sua identidade, ele não será útil, porque perde seus próprios contornos”, disse.

Para Ricardo, a adaptação do profissional da psicologia ao Programa (de DST/Aids) parece coincidir com a “despsicologização” de sua prática. “Isso não significa que ele não consiga se reinventar. Isso é inclusive desejável, mas o problema é que nem sempre temos observado isso”, finaliza.

Nana Soares

http://www.agenciaaids.com.br

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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