Aposentada que precisava amputar dedo do pé morre após 44 dias de espera – http://www.e-tribuna.com.br

Aposentada que precisava amputar dedo do pé morre após 44 dias de espera

QUARTA, 22 AGOSTO 2012 10:24
Nilza Carvalho Neto (C), filha da vítima, entre o filho e uma amiga: esta cidade tem um sistema de saúde que, infelizmente, não funciona./Foto: Marco Oddone.

Inconsoláveis, parentes da paciente Manoelina Maria da Conceição Carvalho, de 76 anos, acompanharam ontem o sepultamento da aposentada, que morreu depois de 44 dias esperando por uma cirurgia vascular pelo SUS. Parentes contam que Manoelina tinha diabetes e no dia 8 de julho esteve no Hospital Municipal Dr. Nelson de Sá Earp, para tratar um ferimento no pé. Naquele dia, os médicos verificaram que seria necessário a idosa amputar o dedo mínimo e ela foi internada. O hospital, no entanto, não tinha a infraestrutura necessária para fazer a cirurgia e a paciente só foi transferida para a Casa Providência 39 dias depois, com o quadro de saúde bastante agravado. Parentes estavam revoltados e pretendem acionar a Justiça contra a Fundação Municipal de Sáude. 

“Não vamos deixar isso passar em branco, porque minha mãe foi tratada com descaso. Ela sentia dores 24h por dia, ficou internada por mais de um mês esperando pela vaga e piorando a cada dia. Quando a transferência foi feita o quadro dela já estava grave demais. Vamos procurar a Justiça e exigir o que tivermos direito, para tentar evitar que a situação se repita com outras pessoas”, desabafou Nilza Carvalho Neto, filha de Manoelina.

Depois de quase um mês à espera de transferência para um hospital com infraestrutura para fazer a cirurgia vascular, parentes da paciente procuraram a Defensoria Pública e ingressaram com uma ação na Justiça. Apesar de duas liminares judiciais – expedidas no dia 8 e no dia 13 de agosto – determinando prazos para a internação sob pena de multa, a transferência da paciente aconteceu somente no dia 16, quando, segundo parentes, o quadro já havia se agravado bastante. O descumprimento da ordem judicial chegou a ser registrado na Delegacia do Retiro (105ªDP).

“Minha mãe entrou no pronto-socorro andando, a médica examinou o pé dela e disse era preciso amputar um dedo. Ela foi internada ali, mas o hospital não fazia este procedimento. O quadro dela foi se agravando enquanto ela esperava pela vaga. Um tempo depois já eram dois dedos, depois três, da última vez que tive coragem de ajudar a trocar o curativo dela, a infecção já tinha tomado a sola do pé, que estava se desprendendo, uma coisa horrível. Minha mãe sentia muita dor, coitada, o tempo todo. Houve dias em que nem mesmo dipirona havia no hospital para dar a ela, nós é que tínhamos que levar o remédio. Um outra vez, ela já teve problema no pé, tratou e ficou boa. Eles demoraram demais para fazer a transferência. Quando ela chegou na Casa Providência o quadro já estava muito grave. Eles foram ótimos lá na Providência, se empenharam, mas não havia mais condições dela fazer a cirurgia, porque a infecção já havia se espalhado”, lamentou a filha, Nilza de Carvalho Neto.

A primeira liminar foi expedida no dia 8 deste mês pela titular da 4ª Vara Cível, Christianne Ferrari, e determinava que Manoelina fosse transferida em um prazo máximo de 72 horas para um hospital com infraestrutura adequada para o tratamento da idosa. Como o prazo não foi respeitado, parentes voltaram ao Fórum e comunicaram o descumprimento. O segundo mandado foi expedido dias depois e concedeu um prazo de 24 horas para que o município cumprisse a ordem, sob pena de multa diária de R$ 30 mil. “Minha sogra foi tratada com descaso total. Ela ficou um tempo enorme esperando pela vaga, com a situação se agravando a cada dia. Com todo aquele sofrimento, ainda precisamos acionar a Justiça para conseguir que ela fosse internada. Essa cidade tem um sistema de saúde pública que, infelizmente, não funciona, pelo menos pra ela não funcionou”, desabafou a nora, Rosane Carvalho durante o cortejo.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que “a transferência da paciente foi solicitada e foi feita a internação no Hospital Casa Providência, onde a paciente aguardava o procedimento indicado”. A assessoria não esclareceu, no entanto, o porquê da demora na transferência da paciente para a realização da cirurgia.

 

Jaqueline Ribeiro

Redação Tribuna

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s