reflexão relativa a Oficina Tuberculose e SUS.

Em 2009, foram notificados 72 mil casos de tuberculoseno país sendo que, dentre estes, 4,8 mil foram a óbito. Como ativista evoluntária do Grupo de Apoio a Prevenção da Aids/SC, me salta aos olhos e meleva a refletir sobre o meu papel como sujeitopolítico das ações públicas, o fato da tuberculose ser a primeira causa demorte em pessoas com Aids.

SegundoNardele Juncks (PCT SC), apesar dos indicadores do estado de Santa Catarina serem um dos melhores, ainda há muito que se fazer, uma vez que a taxa decoinfecção é, proporcionalmente, uma das maiores do país. Entre os principaisdesafios para o controle da tuberculose pontuados por Juncks, estão: adesarticulação entre as secretarias da Saúde, Educação e Assistência Social, aalta taxa de migração e a falta de equipe especializada em tuberculose emalguns municípios.

Levandoem conta o exposto acima e do fato de que em Santa Catarina há somente açõespontuais para o controle da tuberculose, considero de extrema importância aimplantação de um Comitê Metropolitano no estado. Além disto, a inserção daslideranças comunitárias na discussão relativa à tuberculose, como bem colocouWanda Guimarães (CEDAPS – Fórum TB RJ), é fundamental para o controle destapatologia.

Aoconsiderar a realidade brasileira, dentre os desafios mencionados por JairBrandão (GESTOS) para o enfrentamento da tuberculose, temos: o fato de que ocontrole social na tuberculose é um processo novo e que esta patologia não estásendo priorizada na agenda da Saúde e nos conselhos, além da escassa informaçãosobre a política de tuberculose nas três esferas de governo. Aliado a isto,temos a tuberculose como uma doença determinada e perpetuadora da miséria, adesarticulação entre as Secretarias da Saúde e Assistência Social e o grandenúmero de coinfectados (TB e HIV).

Segundo Nádia, o Brasil tem como meta aumentar a curada tuberculose para mais de 85% e diminuir o abandono para menos de 5%, bemcomo aumentar o controle da coinfecção, ampliar o TDO e as ações para prevençãoque envolvam a participação da comunidade, além da promoção dos direitos dospacientes (assistência e tratamento de qualidade, confidencialidade, entreoutros).

Para tanto, dentre os grupos considerados prioritáriospara o controle da tuberculose foram citados os indígenas, as pessoas emsituação de rua e privadas de liberdade e pessoas vivendo com HIV/Aids. Sendoassim, podemos pensar que ações poderíamos implementar para a diminuição davulnerabilidade destes grupos?

Wanda Guimarães pontuou que no Rio de Janeiro, há PSFpara as pessoas em situação de rua, uma vez que os mesmos não são bem quistosnos serviços de saúde. Como cidadã e ser solidário entendo que medidaspaliativas e emergenciais como esta devam permanecer como tal e que devemos nosmover no sentido de garantir que cada um, independente de seu status social,sorológico ou quaisquer outros, seja atendido com dignidade.  Então, que sefaça valer a constituição:

Art. 196 – A saúde é direito de todos e deverdo Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem àredução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal eigualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

Apesarde reconhecer certa ingenuidade nesta proposição e de admitir que os meios paraque este fato seja concretizado sejam complexos, Brandão nos apontou algunscaminhos, no que tange o controle da tuberculose (e que poderia ser transpostopara outras patologias), que julgo relevantes, como:

– conhecer a política de tuberculosee sua intersetorialidade com Planos e outras políticas;

– participar das reuniões dosconselhos, mesmo não sendo conselheiro;

– discutir e entender o SUAS;

– fortalecer o diálogo com osgestores de tuberculose;

– participação e fortalecimento eexpansão dos comitês metropolitanos;

-fazer parcerias com outrosmovimentos sociais, principalmente com outras patologias e construir uma agendacomum com a participação de conselheiros;

– fortalecer novos ativistas.

Acredito que o fortalecimento do controle social seja importante para a garantia dosdireitos de todos os cidadãos e, assim como Paulo Freire, assumo que para que um ser seja comprometido é necessário agir erefletir. Se não há ação ou reflexão ohomem não consegue transpor os obstáculos impostos pelo mundo, que julgo,neste contexto, ser sobretudo o preconceito. Penso que somente uma viaeducacional libertadora é capaz de gerar a tão esperada transformação dapercepção social da doença.

Mônica de Freitas Bitencourt

Grupo de Apoio à Prevenção da Aids/SC.

 

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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