Missa em casa de apoio para pessoas vivendo com HIV e aids marca despedida de Pe. Valeriano do Brasil

Missa em casa de apoio para pessoas vivendo com HIV e aids marca despedida de Pe. Valeriano do Brasil www.agenciaaids.org.br  – OBRIGADO PADRE VALERIANO PELOS MOMENTOS DE ENSINAMENTOS QUE RECEBEMOS DO SENHOR…IMPORTANTE SUA PARTICIPAÇÃO NO INICIO DA PASTORAL DA AIDS…SEMPRE LEMBRAREMOS DO SENHOR COM CARINHO E RESPEITO….CAL

     
 

24/07/2011 – 23h40

__Na foto, padre Valeriano Paitoni à esquerda e padre Patrick Silva à direita.

A iluminação era do sol de fim de tarde. A música foi tocada por um único violão e cantada principalmente por senhores e senhoras beatas. A oração pedia: “…pelo ativismo contra o preconceito e a favor dos direitos humanos, rezemos ao Senhor: escutei a nossa prece…”

Não faltou emoção na celebração de despedida do padre Valeriano Paitoni neste domingo. Há 20 anos ajudando pessoas com HIV e aids na cidade de São Paulo, o religioso voltará na próxima sexta-feira, 29 de julho, ao seu país de origem, a Itália. Ele foi ordenado por seus superiores a ficar por lá durante um ano para ajudar a reestruturar um programa de jovens missionários em Piemonte, região onde nasceu o santo Dom Bosco.

Valeriano disse que por ter respeitado as ordens dos coordenadores do Instituto Missões Consolata, congregação católica a qual está vinculado, que espera também o cumprimento da palavra deles e que possa voltar ao Brasil em um ano. “Essa foi a condição para eu deixar o Brasil e todas as crianças”, comentou.

Pároco da Igreja Nossa Senhora de Fátima no bairro do Imirim, zona norte de São Paulo, Valeriano é presidente da Sociedade Padre Costanzo Dalbésio, entidade fundada em 1994 para implementar serviços sociais na comunidade, entre eles, a Casa Siloé e o Lar Suzanne, exclusivos para crianças e adolescentes com HIV e aids; o Lar Vitória, para jovens soropositivos e o Lar Betânia para adultos que vivem com o vírus.

“Foram esses trabalhos que me ensinaram o lado mais humano de ser padre”, comentou Valeriano durante o evento religioso no Lar Betânia para marcar sua despedida.

Para o seu lugar de coordenador geral das casas de apoio foi ordenado o padre português Patrick Silva, mas para a difícil função de manter a boa qualidade dessas obras assistenciais, a comunidade já se colocou à disposição. “Estaremos sempre atentos para que seu trabalho continue do mesmo jeito por aqui”, informam alguns cartazes postados nas paredes do Lar Betânia e assinados pelo Movimento Social de Luta contra a Aids.

Valeriano disse que se as crianças não forem bem cuidadas que voltará da Itália imediatamente.

Valeriano e a camisinha

O padre Valeriano Paitoni defende publicamente, desde 2000, o uso do preservativo para a prevenção do HIV – opondo-se às orientações do Vaticano. Para fieis que frequentam a Paróquia do Imirim, seria este o real motivo da transferência momentânea do padre.

Em entrevista à Agência de Notícias da Aids em março, quando se tornou público o pedido de transferência de Valeriano, o superior provincial do Instituto Missões Consolata no Brasil, Lírio Girardi, negou que seja esse o motivo. “Fico muito triste quando dizem que o problema é esse, pois com toda a certeza não é. Quem diz isso é leviano e mente”, diz.

Padre Lírio argumenta que Valeriano sabia que um dia seria substituído e que teria que preparar as crianças para esse processo de separação. “Essa obra faz parte da missão do nosso Instituto, e não está totalmente dependente do padre. Reconhecemos a relação afetiva entre o padre Valeriano e as crianças, mas outras pessoas irão suprir esse papel”, comentou.

Instituições que atuam no combate da aids, como o Fórum de ONG/Aids do Estado de São Paulo, o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids da Secretaria de Estado da Saúde e até o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde divulgaram documentos ressaltando a importância de Valeriano na luta contra a epidemia e se posicionando a favor da permanência do religioso no Brasil.

Da Europa para o Jardim Peri

Nascido em 1948 em Pontevico (Brescia, Itália), Valeriano entrou no Instituto dos Missionários da Consolata em 1966 (Seminário de Varallo); foi ordenado Diácono em 1976 em Londres e, em 1978, chegou a Cascavel, no Parará, onde foi superior do Seminário de cidade e formador.

Entre 1986 e 1989, quando trabalhava para a Paróquia Nossa Senhora da Penha do Jardim Peri, periferia Norte de São Paulo, padre Valeriano começou a cuidar – em uma casa dentro da comunidade mais pobre do bairro – de jovens com aids rejeitados por familiares e amigos. Surgiu então, em 1991, o Lar Betânia, onde hoje moram oito adultos com HIV e aids.

Em 1994, já como pároco da Igreja do Imirim, Valeriano criou a Casa Siloé – nome bíblico que significa “enviado” – para abrigar até 14 crianças soropositivas; em 1998 moradores do bairro arrecadaram fundos para o transplante de fígado de uma menina, mas a pequena morreu antes da operação e seus pais doaram ao Padre o montante arrecadado, para que ele construísse o segundo lar de apoio às crianças e adolescentes com HIV, que foi chamado Suzanne em homenagem à menina; e, em 2007, ele criou a terceira casa, a Vila Vitória, destinada aos jovens com mais de 18 anos.

“O que mais prezo neste trabalho é o espírito familiar. Não atendemos mais pessoas [hoje são 27 crianças, adolescentes e jovens] para não massificar. Queremos dar atenção especial de pai e mãe para cada um”, comentou Valeriano.

Para o padre, ajudar os moradores da casa a vencerem o preconceito ainda é o maior desafio. “Às vezes chega um chorando, contando que os colegas o chamaram de aidético e disseram que ele vai morrer. É muito triste para um pai ver o filho sofrendo”, contou.

As casas são mantidas pelo dízimo doado na Igreja, pelos pagamentos dos carnês dos sócios apoiadores e por algumas festas promovidas na comunidade, como o Dia da Pizza e o Dia da Comida Italiana. Escolas católicas da região também oferecem bolsas de estudo para os moradores da casa.

Em 2009, as crianças ganharam a Academia Esperança, que funciona no Centro Esportivo Dom Oscar Romero, da Paróquia do Imirim. Elas usam a academia, fazem hidroginástica e fisioterapia para diminuir alguns efeitos provocados pelos fortes remédios contra a aids, como a lipodistrofia, ou seja, o excesso ou escassez de gordura no rosto e em outras partes do corpo.

Em alguns casos há também concessões de adoção oficial das crianças, mas os dirigentes dão prioridade para familiares ou para alguém que já seja do convívio da criança.

Lucas Bonanno

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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