Parentes se mobilizam, mas não impedem morte de mãe e filho www.e-tribuna.com.br

Parentes se mobilizam, mas não impedem morte de mãe e filho

Sex, 17 de Junho de 2011 12:30

 

 
Amigo de infância de Vandir, Carlos Antônio lamentou o descaso: sem conseguir uma ambulância, ele ajudou a socorrer o amigo, já desfalecido. / Alexandre Carius

A morte de Vandir de Oliveira Gonçalves Filho, de 50 anos, após aguardar por duas horas  a chegada de uma ambulância, causou revolta e indignação entre os parentes e amigos. Vandir tinha um tumor cerebral e dificuldades de locomoção. Ele faleceu na tarde de quarta-feira, meia hora após chegar ao Pronto Socorro do Alto da Serra, para onde foi levado por vizinhos. “Foram dezenas de ligações pedindo uma ambulância, até que um vizinho se ofereceu e o levou de carro, mas, infelizmente, não adiantou”, comentou o amigo Carlos Antônio Azevedo da Silva.
O falecimento de Vandir foi denunciado na Câmara, pelo  vereador Márcio Muniz, que chegou a intervir para que uma ambulância fosse socorrer o paciente. “Liguei pessoalmente para os dois hospitais, e em ambos não havia ambulâncias. Foram duas horas de desespero para a família”, disse. Além da falta de ambulância, o difícil acesso à casa de Vandir, que residia no ponto final do bairro Sargento Boening, também foi um problema. Como utilizava muletas, os amigos tiveram que subir mais de 50 degraus para levá-lo até o carro. “Tivemos que pegá-lo no colo e carregar. Ele já estava desfalecido. Foi horrível”, contou Carlos Antônio.
Vandir começou a passar mal por volta das 16 horas, mas só conseguiu chegar ao hospital próximo das 18 horas. De acordo com Márcio Muniz, a ambulância só chegou no local para fazer o socorro depois das 19h30. “Quando a ambulância chegou na casa dele, ele já estava morto no hospital. Esse triste caso serve de alerta. É preciso que a Secretaria de Saúde adquira imediatamente mais ambulâncias, pelos menos mais duas para cada hospital”, ressaltou o vereador. O corpo de Vandir foi enterrado na tarde de ontem no Cemitério Municipal. Carlos Antônio estava indignado e lamentava a perda do amigo. “Foram 41 anos juntos. Agora, ele se foi”.
Vandir de Oliveira morreu exatamente um mês após o falecimento de sua mãe, a aposentada Maria Concebida, de 78 anos, que cuidava dele. O vereador Márcio Muniz também denunciou a morte da idosa. Para ele, foi outro caso de negligência. “Ela quebrou o pé descendo as escadarias que dão acesso à sua casa. Os vizinhos a levaram para o Hospital Nelson de Sá Earp, onde ficou por cinco dias deitada em uma maca na enfermaria feminina. Tentei pessoalmente uma vaga no Hospital Santa Teresa para que ela operasse, mas não consegui. Ela acabou contraindo uma infecção e foi transferida para o Hospital Clínico de Corrêas. Lá ela ficou por 20 dias até falecer. Eu mesmo vi o estado em que o pé dela estava. Pra mim, nos dois casos houve negligência. Mãe e filho morreram devido à falta de estrutura da rede municipal de Saúde”, enfatizou o vereador. 

JANAINA DO CARMO
Redação Tribuna

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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