Família filma drama de paciente, que morreu em casa, logo após ter alta de hospital público

 Prezad@s,

O caso em questão ilustra de forma inequívoca o que temos insistentemente denunciado, o total desprezo pela vida humana e a negligência criminosa do estado em prover uma assistência mínima as pessoas com Aids e Tuberculose no Rio de Janeiro.

Situações como a falta de leitos e UTIs para a internação de pacientes graves de Aids e Tuberculose, foram recentemente objeto de uma blitz feita à CENTRAL ESTADUAL DE REGULAÇÃO (CER) DE VAGAS DA SECRETARIA ESTADUAL DE SAÚDE E DEFESA CIVIL DO RIO DE JANEIRO (SESDEC) pela Frente Parlamentar Estadual de Combate a Tuberculose e HIV/Aids, presidida pelo deputado estadual Gilberto Palmares (PT) e motivo de uma audiência com o Subprocurador-Geral de Justiça de Direitos Humanos e Terceiro Setor, Leonardo Chaves, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.

TV ALERJ: http://www.tvalerj.tv/PlayMediaInPortfolio.do?mediaId=10222

Ouça também: Radio ALERJ http://radioalerj.posterous.com/tag/saude

MP: http://www.migalhas.com.br/Quentes/17,MI129432,51045-MP+RJ+recebe+comitiva+que+luta+contra+o+avanco+da+tuberculose+no

Não podemos ignorar o fato agravante que o Estado do Rio de Janeiro detém os piores indicadores de tuberculose do país, a maior incidência da coinfecção tuberculose/HIV/Aids e o maior número de óbitos relacionados a esse agravo.

Carlos Basilia
Observatório Tuberculose Brasil
Membro Fórum ONGs Tuberculose – RJ
IBISS – Instituto Brasileiro de Inovações em Saúde Social
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Família filma drama de paciente, que morreu em casa, logo após ter alta de hospital público

(Aviso, cenas fortes)

http://extra.globo.com/noticias/rio/homemmorre-20-minutos-aposter-alta-do-hospital-rocha-faria-1718445.html

Marcelo Theobald

O Conselho Regional de Medicina (Cremerj) vai abrir uma sindicância para investigar as circunstâncias da morte de um paciente com AIDS atendido no Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande. Depois de oito dias de internação na unidade por causa de complicações de uma TUBERCULOSE, João Paulo de Paiva Silvério, de 34 anos, recebeu alta e foi levado numa ambulância de volta para casa. Vinte minutos depois, ele morreu. O drama do doente foi todo filmado pela família, que acusa o hospital de ter liberado o paciente quando ele ainda se encontrava extremamente debilitado. A denúncia, com a íntegra do vídeo feito por parentes, foi noticiada ontem no site do jornal “Extra”.

A história começou no dia 22, quando João Paulo deu entrada no hospital. Portador de HIV, ele estava fraco, porém consciente. A TUBERCULOSE havia agravado seu estado. Por considerar que ele não estava em condições de ser liberado, a família queria mantê-lo internado. Mas alegam não terem sido ouvidos pelos médicos. Na última sexta-feira, dia 28, o paciente foi levado na ambulância do hospital de volta para casa. Quando chegou, segundo a família, ele já não falava, nem expressava qualquer reação.

Família: hospital sequer dava banho em doente

Desde que João Paulo chegou na ambulância, a família começou a filmar. O vídeo mostra enfermeiros levando o doente desacordado numa maca até o sofá da sala. Logo depois, parentes chamam por ele, que não reage. Neste momento, já estaria morto.

– Quero descobrir o que eles fizeram com o meu irmão – diz Édison Bruno Silvério, irmão de João Paulo.

Édison contou que tinha estado no hospital no dia 27 para ter notícias do irmão. De acordo com ele, uma assistente social, que não foi identificada, informou à família que o paciente estava com alta desde segunda-feira, dia 25, e que o hospital não podia fazer mais nada por ele. Ela também teria afirmado que a medicação havia sido suspensa e pediu a Édison que fosse buscá-lo, pois a alta não poderia ser revogada.

– Pedimos que ele continuasse lá e disse que não tinha carro próprio para levá-lo – afirma Édison.

Ainda segundo Édison, com a alta, João Paulo ainda perdeu uma vaga em outro hospital. A cunhada de João Paulo, Ana Paula Silva Félix, disse que a família foi ameaçada caso não levasse paciente embora.

– A assistente social disse que, se não o buscássemos, seríamos processados por abandono – conta, revoltada.

A família reclama também do mau atendimento recebido por João Paulo no Rocha Faria. Eles denunciam que uma garrafa pet era usada para João Paulo urinar. Como ele não teria tomado banho desde a entrada no hospital, Édison o lavou e trocou suas roupas. João Paulo também não teria recebido alimentação.

Queixa na Delegacia e denúncia ao MP

Indignado, Édison procurou a 36ª DP (Santa Cruz) para registrar a denúncia e deve recorrer também ao Ministério Público. O caso já está sendo investigado pela polícia.

– Queremos evitar que isso aconteça com outros pacientes. Como é possível dar alta a uma pessoa que está morrendo? Negar uma chance de sobrevivência? – desabafa Ana Paula.

Em nota, o diretor do Rocha Faria, José Macedo, afirmou que João Paulo teve alta no dia 26 de abril “porque tinha o quadro estável e sem qualquer intercorrência que justificasse a necessidade de permanecer internado”. Ainda segundo Macedo, “o paciente deixou a unidade lúcido, orientado, respirando normalmente e estável”. Porém, a direção do Rocha Faria informou que também abrirá uma sindicância para apurar o caso.

Mesmo sem que a família tenha registrado queixa no Cremerj, o secretário-geral do conselho, Pablo Queimadelos, disse que o caso será investigado e que o médico responsável pela alta de João Paulo será ouvido. Ele acrescentou que, se for constatado erro médico, o profissional poderá ser punido.

– O paciente terminal tem que ser atendido, seja em casa ou no hospital. Todo o suporte tem que ser oferecido para que ele tenha conforto e não sinta dor – diz Queimadelos.

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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