Famílias usam a criatividade para protestar contra ordem de despejo – www.e-tribuna.com.br

Famílias usam a criatividade para  protestar contra ordem de despejo http://www.e-tribuna.com.br/

Qui, 21 de Abril de 2011 12:00

A ordem de despejo faz parte de uma ação de desocupação e demolição das casas movida pela Concer em 2001. / Bruno Avellar

Placas instaladas ao longo da rodovia BR 040 sentido Rio-Juiz de Fora, próximo à comunidade conhecida como Vila das Sete Casas, no Km-59, chamam a atenção de quem passa pelo local. Com inscrições dos nomes das famílias que moram na comunidade, as placas – algumas em formato de cruz – fazem parte de um protesto dos moradores que há cerca de três meses começaram a receber intimações para desocupar a área. A ordem de despejo faz parte da ação de desocupação e demolição das moradias movida pela Concer, concessionária que administra a estrada, instaurada em 2001.
Quatro moradores confirmaram ter recebido a intimação. Ao todo, existem cerca de 100 residências no local. A doméstica Cirléia Viana Ribeiro, de 33 anos, foi uma das moradores intimadas. Segundo ela, a primeira ordem de desocupação foi dada em 2005. “Quando eles vieram a primeira vez, nós conseguimos contestar a decisão judicial. Achamos que a situação estava resolvida. Não acreditei quando meu marido recebeu uma nova intimação”, contou. Cirléia mora na comunidade há 14 anos e o seu companheiro há mais de 20. “Tem pessoas que vivem aqui há 50, 60 anos. Não entendo por que voltaram com esta história. Não estamos atrapalhando ninguém”, comentou.
A faxineira Regina Aparecida Ribeiro Teixeira, que mora no local há 30 anos, contou que a Concer chegou a oferecer indenizações para os moradores, porém, devido aos baixos valores, a proposta não foi aceita. “Nos oferecerem algo em torno de mil Reais. Onde vou comprar uma casa com este valor?”, questionou. A moradora conta que algumas famílias foram para o local antes da estrada começar a ser construída. “Minha tia morava em um trecho mais acima, próximo à estrada de ferro. Quando começaram a construir a rodovia, ela teve que se mudar e veio para cá. Com o tempo, outras famílias foram chegando sem que ninguém impedisse. Ninguém aqui é invasor”, relatou.
A casas que pertencem à comunidade não são legalizadas na Prefeitura, mas todas contam com energia elétrica, e a água que atende às residências vem de um poço. Regina conta que não tem para onde ir e acha injusta a ação movida pela Concer. “Criei meus filhos aqui. Eu tenho uma história e uma vida neste lugar. Não é justo de uma hora para outra resolverem me tirar daqui”, lamentou. Os moradores que já receberam as intimações entraram na Justiça contestando a decisão judicial.
Em nota, a assessoria de imprensa da Concer informou que a concessionária tem “por obrigação contratual fiscalizar e coibir a ocupação da faixa de domínio da BR-040. Sempre que o setor de Desenvolvimento Social identifica uma ocupação irregular, faz contato com quem ocupou a área na tentativa de negociar amigavelmente sua saída do local. Quando a negociação fracassa, a Concer ajuíza uma ação judicial para a desocupação da área, caso contrário fica sujeita à multa por parte do poder concedente. Atualmente, a empresa tem mais de 300 ações judiciais em andamento, entre as quais 20 já foram julgadas procedentes, mas este total refere-se a toda a rodovia, que vai do Rio de Janeiro a Juiz de Fora, passando ainda por outros 7 municípios, incluindo Petrópolis”.

JANAINA DO CARMO
Redação Tribuna

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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