Dom Filippo Santoro – Apelo para a reconstrução urbanística e humana de Petrópolis

 

Apelo para a reconstrução urbanística e humana de Petrópolis

Passaram-se dois meses das grandes chuvas que devastaram a Região Serrana do Rio de Janeiro e a nossa Petrópolis, chegando a causar cerca de 900 mortos sem contar os desaparecidos. Estamos diante de um dos maiores desastres naturais do Brasil. No meio de tanta dor, grande foi a solidariedade de muitas pessoas de todo o País e do exterior, que trouxe conforto e esperança. Estamos na fase de reconstrução que procede lentamente enquanto muitas famílias permanecem nos abrigos e diminui a presença dos voluntários. Como era previsível, os holofotes deixaram a Região Serrana e as feridas da chuva foram encobertas sem ser curadas. O pior mal que pode acontecer à nossa Cidade é a perda da memória. Acusou-se como uma das causas das mortes a ocupação irresponsável de muitas áreas de risco; mas sinceramente quem a favoreceu? E por acaso os pobres gostam de viver em zonas de risco? Era esta a única possibilidade de uma moradia acessível, mesmo que precária. É necessário um grande movimento popular que tenha os pobres e desabrigados como sujeitos para impedir que o desastre aconteça de novo nestas proporções e que novas tragédias se repitam. Existem estudos de qualidade, feitos depois das inundações dos anos passados, que, porém não foram aproveitados. É hora de recuperá-los e de atualizá-los para responder aos desafios deste momento. Isso é urgente porque nos encontramos diante de dois perigos que nos ameaçam. De um lado os desabrigados urgem para uma solução apenas imediatista dos problemas. De outro lado o perigo maior é a perda de memória da maioria da população, que poderia chorar amargamente na próxima desgraça. As chuvas do primeiro de março já nos deram um alerta. As autoridades públicas estão fazendo a sua parte, embora fosse desejável uma maior celeridade e mais clareza nos objetivos. Mas o problema real é a urgência de uma urbanística diferente que providencie de forma ágil a desocupação das áreas de risco e a construção igualmente ágil de novas moradias em terrenos seguros e possivelmente não distantes das antigas casas abandonadas. Isso porque não é suficiente construir casas; é necessária uma dimensão humana da casa, como lugar de relacionamentos, serviços e perspectivas educativas que favoreçam o convívio social, a busca da dignidade e do sentido pleno da vida. A Igreja, junto com pessoas de várias religiões, esteve na primeira fila na hora do drama e da emergência. Diante da dor e do sofrimento se ajuda o ser humano qualquer que seja o seu credo. A Campanha da Fraternidade, promovida pela CNBB este ano com o tema “Fraternidade e vida no Planeta”, alerta-nos sobre a necessidade de respeitar a natureza contra uma certa cultura do consumismo desenfreado e da exploração predatória dos recursos naturais. É tempo de conversão para que a ganância não produza um irreparável prejuízo para toda a humanidade. Agora, a todos é pedido um passo novo: manter viva a memória em vista de uma reconstrução urbanista atenta às várias áreas de risco e às características peculiares da nossa Cidade. Por isso em cooperação com o trabalho realizado pelo Governo, Estado e Município, convocamos as várias entidades civis da nossa Cidade a fim de incrementar um movimento do nosso povo para uma reconstrução ágil, firme e de ampla visão para o futuro. A situação é grave; o dever que temos é urgente. Várias pessoas já aderiram ao nosso apelo; entre eles, personalidades do mundo jurídico, da cultura, da imprensa, da indústria e, sobretudo, muita gente simples que está sofrendo com as conseqüências deste desastre que atingiu a nossa região. A colaboração de todos neste momento é urgente para que se concretize a nossa esperança.

Dom Filippo Santoro – Bispo de Petrópolis

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

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