UTILIDADE PUBLICA ESTADUAL – Título ajuda trabalho desenvolvido

Após receber do deputado estadual, Marcus Vinícius (Nescau), o título de Utilidade Pública em reconhecimento ao trabalho desenvolvido. O Grupo Assistencial SOS Vida, presidido pelo psicólogo, Antonio Carlos de Souza Pires, entregou ao representante da Assembleia Legislativa do Estado do Rio (Alerj), a Carta de Petrópolis, solicitando que o documento seja encaminhado aos deputados estaduais que atuam na comissão que cuida dos interesses de pacientes soropositivos.

O presidente da entidade, Antonio Carlos Pires, disse que o documento, formulado durante a realização do seminário Controle Social e Aids, apresenta 14 recomendações importantes para o controle social e a Aids. O documento foi elaborado por profissionais que lidam com a questão da Aids. Entre as recomendações proposta está “que as três esferas de governo assumam responsabilidades para melhorias das condições, inclusive com a garantia de leitos para portadores de DST/Aids/TB e Hepatites.

“Sem dúvida, vamos fazer este encaminhamento, pois acreditamos no trabalho da entidade. Há mais de um ano estamos trabalhando para que fosse possível entregar esse título de utilidade pública a essa entidade. Vamos agora fazer as articulações junto ao governo federal, para que esse trabalho seja reconhecido também nacionalmente”, disse o deputado Marcus Vinícius.

O documento sugere ainda a criação de comissões específicas para tratar do assuntos relacionados a DST/Aids nos conselhos municipais de Saúde, para acompanhar os programas municipais de DST/Aids nos municípios.

Autor:

O Grupo Assistencial SOS VIDA nasceu legalmente em 28 de março de 1998 com o proposito de oferecer apoio e assistência a portadores do vírus HIV/AIDS. Após um ano, Padre Quinha pediu ao fundador que começasse a trabalhar também com Dependência Química. Passados dezesseis anos os atendimentos vão além destas duas patologias, a busca por diversos motivos fez com que a instituição abrisse o leque de atuação – Ir de Encontro com a Necessidade de Quem Nos Procura – que, em sua grande maioria, são pessoas de baixa renda. Os assistidos contam ainda, além dos atendimentos na sede da instituição, com o amparo de profissionais de saúde que atendem gratuitamente em seus consultórios e clínicas.

2 comentários em “UTILIDADE PUBLICA ESTADUAL – Título ajuda trabalho desenvolvido

  1. Londrina, 20 de abril de 2010.
    Boa tarde,
    Fico feliz em constatar que a cidade de Petrópolis esteja mais uma vez lutando pelo seu lugar. Sou portadora do vírus HIV, morava na cidade do Rio de Janeiro na mesma residência em que se encontra o pai de meus filhos e meus filhos. Há muitos anos vinha sofrendo discriminação por parte do pai dos dois, chegando inclusive a ter procurado ajuda à Petrópolis, para abrigo. Entendam a minha dificuldade, pois o pai em questão viveu comigo por 24 anos, dei-lhe um casal de filhos, Camila de 21 anos e Fernando que completará 18 em junho. Contudo, a relação já havia acabado há muito, quando em 2005, em meio a uma trágica e frustrada tentativa de separação, havendo eu incluse procurado a Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher – DEAM/RJ, por motivo de agressão física, descobri ser soropositiva. Com mais esse dado em mãos, avisei à ele do resultado e ele levou-me de volta para casa. Em minha cabeça, tudo girava. Queria apenas beijar e abraçar meus filhos na tentativa de amenizar a dor daquele resultado sorológico. Em momento algum, pensei em resgatar a minha relação com meu ex companheiro, já previamente desgastada por inúmeras agressões tanto físicas quanto verbais. No ano passado, em 2009, eu tomei coragem para buscar a minha saúde novamente. Conheci muitas Organizações Não Governamentais na cidade em que vivia, mas não imaginava como eu poderia sair do anonimato soropositivo sendo o pai de meus filhos um renomado médico em minha cidade natal. Costumava frequentar chats e manter-me o mais informada sobre o tratamento e pessoas que se deparam com os mesmos obstáculos que eu. Há muito mais gente na mesma situação em que eu vivera do que aquilo que eu pudera antever. Conheci meu atual companheiro num chat para HIV. Conversávamos bastante sobre alcoolismo, pois sou alcoolista em recuperação há dezesseis anos, e ele, trabalhando em uma Ong aqui em Londrina/Pr, lidava com pessoas com esse mesmo problema. Finalmente em julho de 2009, tomei a iniciativa de participar de reuniões semanais para PVHAS por aqui. Inicialmente tencionava retornar à minha cidade com esse trunfo. Porém, após uma semana, o pai de meus filhos, sem me avisar, trocou a fechadura do apartamento em que morávamos, para impedir a minha entrada. Aquela atitude chocou-me deveras. Após uma longa viagem Londrina/Rio de Janeiro, via-me do lado de fora do apartamento tal e qual uma mulher bandida. Incansavelmente esperei o dia todo até alguém aparecer para me abrir a porta. Extremamente cansada, ele me permitiu adentrar o aprtamento ouvindo seus gritos sobre mim: “-Eu não deveria sequer ter aberto a porta para você, sua alcoólatra e aidética!”
    Coloquei a mesma mochila com que chegara em meus ombros e humilhadamente, saí.
    Naquele noite triste, encontrei um pastor chamado Armando e pernoitei na casa dele, sem sequer saber onde me encontrava. Estava dominada de cansaço, tristeza e desespero.
    No dia seguinte, saímos eu e pastor Armando para andar um pouco. A saudade de meus filhos torturava minha alma e meu corpo. Sem que o pastor se desse conta, perdi-me dele e entrei em uma Van em direção à Barra da Tijuca, na esperança de rever meus filhos. Ainda sem graça e me sentindo uma perfeita tonta, encontrei uma vizinha que sabedora de minha condição sorológica e matrimonial, se ofereceu para ligar à minha filha, pois Camila estava na faculdade e Fernando, na colégio. Eu, sem poder entrar em casa.
    Devo mencionar que naquele dia larguei a mochila com meu netbook, meus anti retrovirais, minha agenda e alguns pertences, na casa do pastor desconhecido e até hoje não sei seu endereço.
    Mais uma vez frustrada, sem conseguir ver rever meus filhos, decidi ir à Rodoviária Novo Rio. Comprei minha passagem de volta à Londrina. Com a roupa do corpo e sem bagagem, entrei no ônibus gelado e vim para cá. Hoje trabalho na Ong como voluntária. Sou secretária do Núcleo Londrinense de Redução de Danos e adoro o que faço, apesar de morrer de saudades dos meus filhos. Minha luta é incansável. Pego meus anti retrovirais, faço meu tratamento para viver e não só para colher migalhas. A luta me trouxe a certeza de ser útil a muita gente. O Brasil está repleto de pessoas que vivem sob o estigma da discriminação e sequer sabem que existe esperança para um Brasil melhor e mais humano. Atualmente, meu esforço é voltado para que as pessoas percebam um fato adormecido em meio ao mundo caótico de preconceito, existe vida apesar de uma sorologia positiva.

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